Dia Mundial sem Tabaco alerta para impactos do cigarro na imunidade e nas infecções respiratórias

Médica generalista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição destaca que tabagismo e uso de cigarros eletrônicos aumentam riscos de complicações pulmonares e reforça benefícios da cessação em qualquer idade


O tabagismo continua sendo um dos principais fatores de risco para diversas doenças graves, mas os impactos do cigarro vão além do câncer e dos problemas cardiovasculares. No contexto do Dia Mundial sem Tabaco (31/05), especialistas chamam atenção para os danos provocados pelo cigarro convencional e eletrônico à imunidade e à saúde respiratória, aumentando a suscetibilidade a infecções e agravando doenças pulmonares.

A Dra. Michely Mauricio, médica generalista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, explica que o tabagismo compromete diretamente o funcionamento do sistema imunológico, dificultando a capacidade do organismo de combater vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. “O tabagismo não apenas aumenta o risco de câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares, mas também compromete profundamente o sistema imune”, afirma.

Segundo a especialista, tanto o cigarro tradicional quanto os cigarros eletrônicos prejudicam os pulmões e enfraquecem as defesas naturais do organismo. A fumaça e o vapor irritam as vias respiratórias, favorecem processos inflamatórios e facilitam a entrada de vírus e bactérias, tornando doenças como gripe, pneumonia e Covid-19 potencialmente mais graves. Além disso, fumantes e usuários de vape, pods e outras formas de cigarro eletrônico podem apresentar maior falta de ar, recuperação mais lenta durante infecções respiratórias e recorrência mais frequente de doenças pulmonares. “A cessação do tabagismo contribui significativamente para reduzir os danos causados ao organismo e melhorar a qualidade de vida”, ressalta a médica.

Os sinais iniciais de comprometimento da saúde respiratória também merecem atenção. Tosse persistente, pigarro, chiado no peito, aumento de catarro, falta de ar ao realizar pequenos esforços, cansaço excessivo e infecções respiratórias recorrentes podem indicar prejuízos pulmonares relacionados ao tabagismo.

Outro ponto de alerta entre os profissionais de saúde é o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos. Muitos iniciam o consumo acreditando que os dispositivos são menos nocivos, mas acabam desenvolvendo dependência rápida da nicotina e maior risco de migração para o cigarro convencional. “Os adolescentes têm sido um dos grupos que mais preocupam os médicos atualmente, pois muitos começam pelo cigarro eletrônico acreditando que ele faz menos mal”, destaca a Dra. Michely..

A especialista também reforça a preocupação com pessoas que já convivem com doenças crônicas, como asma, hipertensão e diabetes, além de gestantes, já que o tabagismo pode agravar quadros clínicos e aumentar riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.

Apesar dos danos associados ao cigarro, os benefícios da interrupção do hábito começam rapidamente após a cessação. Em cerca de 20 minutos, a pressão arterial e a frequência cardíaca tendem a normalizar. Entre 12 e 24 horas, os pulmões já apresentam melhora funcional, enquanto o olfato e o paladar começam a se recuperar em poucos dias. A longo prazo, também ocorre redução significativa do risco de doenças cardiovasculares. “Nunca é tarde para parar de fumar. A cessação sempre vai valer a pena em qualquer momento da vida”, conclui a Dra. Michely Mauricio, médica do HCNSC.

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