CEBs, comunhão sinodal

A Igreja no Brasil já dá os primeiros passos em preparação ao 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil que acontecerá na diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, nos dias 20 e 24 de julho de 2027. O tema “CEBs: caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho a serviço do Reino” e o lema bíblico “Levanta-te e resplandece, pois chegou a tua luz” (Is 60,1). Um de seus principais compromissos o fortalecimento do protagonismo das juventudes e do diálogo entre as gerações.

A preparação busca envolver comunidades, lideranças, pastorais, grupos de reflexão e famílias, especialmente os jovens, na construção de uma Igreja sinodal, missionária e próxima da vida do povo.Já o Papa Francisco, afirmou por ocasião do 50º aniversário do Sínodo dos Bispos: “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do Terceiro Milênio”. As CEBs são uma experiência eclesial nascida sob o impulso do Concílio Vaticano II e reconhecida, desde Medellín, como núcleo fundamental de vida comunitária, evangelização e promoção humana.

Segundo o teólogo Edebrande Cavalieri, as CEBs aprenderam a caminhar juntas a partir das necessidades concretas vividas por seus membros e da celebração da fé cristã. Por isso, podem ser compreendidas como um verdadeiro laboratório de experiências sinodais, construídas ao longo de décadas por meio da escuta, da participação e da organização comunitária: comunhão, participação e missão.

A consciência da sinodalidade apresenta às CEBs três horizontes fundamentais: comunhão, participação e missão. Esses elementos, que também marcam a caminhada da Igreja no tempo presente, fazem parte da própria identidade das Comunidades Eclesiais de Base. Daí, a memória das CEBs não deve ser vivida como saudosismo, mas como energia para novos caminhos. A experiência acumulada ao longo dos anos pode ajudar a Igreja a fortalecer uma prática sinodal enraizada nas comunidades, especialmente nas realidades periféricas e nos espaços onde a vida do povo é mais desafiada.

Sínodo é a raiz da sinodalidade. Sínodo significa caminhar juntos. A pluralidade de comunidades, pastorais e movimentos na Igreja implicam necessariamente na comunhão e na participação de toda Igreja, ou seja, os leigos e leigas com seus serviços e ministérios e os ministros ordenados (bispos, padres e diáconos) com a missão de promover a comunhão nas comunidades e das comunidades com toda Igreja, do passado e do presente.

Agora, temos consciência das dificuldades atuais da comunhão eclesial. A nível interno da Igreja para a participação de todos os batizados na vida, missão e decisões da Igreja. Já na sociedadenum contexto marcado por polarizações sociais, políticas e religiosas, os ministros ordenados, comunidades e lideranças precisam evitar caminhos que se afastem da experiência sinodal e da fidelidade à caminhada comum.

As CEBs como fermento na vida da Igrejae da sociedade foi vividano 15º Intereclesial das CEBs, realizado em Rondonópolis, no Mato Grosso, em 2023. O texto que brotou dessa experiencia,destaca que o encontro expressou o desafio das comunidades no atual momento da Igreja: caminhar em sintonia com o projeto de uma Igreja sinodal e em saída para as periferias. As CEBs sempre mantiveram uma relação viva com a articulação pastoral da Igreja no Brasil, em diálogo com a CNBB, as pastorais sociais, os organismos de participação e os serviços voltados à sociedade. Essa experiênciarevela um modo de ser Igreja que não precisa se impor como modelo único, mas que pode influenciar todo o tecido eclesial.

Não se trata de transformar as paróquias em CEBs nem de reduzir as CEBs à lógica paroquial. O papel das comunidades é ser fermento, pequena semente e grão de mostarda, ajudando a irradiar comunhão, participação, compromisso social e vida comunitária a partir da fé. As CEBs expressam a comunhão eclesial como sinodalidade em que todos batizados participam da vida, missão e decisões da Igreja. E com missão prioritária: comprometida com as realidades periféricas e com a vida concreta do povo.

As CEBs podem oferecer uma contribuição decisiva para que a sinodalidade seja assumida como estilo de vida eclesial. Mais do que um novo jeito de ser Igreja, trata-se de ajudar a construir um jeito de toda a Igreja ser: em comunidade, em missão e caminhando junto. E um sinal forte de tudo isso é a explicitação do lugar da juventude que veremos no próximo artigo.

Medoro, irmão menor-padre pecador

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