As meninas invisíveis das ruas

Nas ruas das nossas cidades, há uma realidade que muitos preferem não enxergar. Entre tantos rostos marcados pela dependência química, estão as meninas. Jovens, muitas vezes ainda adolescentes, que tiveram a infância interrompida e o futuro sequestrado pelo uso de drogas, especialmente o crack.

Enquanto os meninos, em geral, encontram diferentes formas de conseguir dinheiro — pequenos trabalhos, favores, reciclagem ou até a mendicância —, para as meninas o caminho quase sempre é outro. Na maioria dos casos, o corpo passa a ser a única moeda de troca. A prostituição deixa de ser exceção e se torna rotina. Não por escolha, mas por sobrevivência.

Essas meninas vivem expostas à violência física, psicológica e sexual, a doenças, à exploração e ao abandono. São vítimas de uma sociedade que falhou em proteger, acolher e oferecer alternativas. Cada esquina ocupada por uma menina em situação de prostituição revela não apenas o drama individual, mas a omissão coletiva.

Ignorar essa realidade não a faz desaparecer. Pelo contrário, ela cresce, se naturaliza e se espalha. É urgente que o poder público, as instituições e a sociedade civil assumam sua responsabilidade, investindo em prevenção, acolhimento, tratamento e reinserção social.

As meninas das ruas não são estatísticas nem casos perdidos. São vidas que ainda podem ser resgatadas, desde que deixem de ser invisíveis aos nossos olhos e à nossa consciência.

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