Afoxé Mona Kinsaba se consolida como patrimônio cultural e prepara novo desfile em Três Rios


Redação

Reconhecido oficialmente como entidade de utilidade pública pela Câmara de Vereadores de Três Rios em 2024, o Afoxé Mona Kinsaba reafirma sua importância cultural e social ao se preparar para desfilar, pelo segundo ano consecutivo, na Avenida Condessa do Rio Novo, durante o Carnaval de 2025. Mais do que um bloco carnavalesco, o Mona Kinsaba se firma como um movimento de resistência, ancestralidade e celebração da cultura negra no espaço público.

Idealizado em 2021 e fundado em 2022 pelo presidente e fundador Ronnie Fernando Costa Fernandes, conhecido como Ronnie do Katendê, ao lado de lideranças religiosas, o Afoxé Mona Kinsaba nasceu com a missão de levar o sagrado para a rua. Sua primeira apresentação ocorreu no tradicional Grupo dos Treze, no bairro Vila Isabel, marcando o início de uma nova expressão cultural na cidade.

Desde então, o bloco vem ampliando sua atuação. Em 2023, participou do Carnaval de Três Rios com apresentação no Horto Municipal. No ano seguinte, esteve presente em importantes eventos do calendário cultural, como a Cavalgada de São Jorge, consolidando sua presença e conquistando reconhecimento institucional. Em 2024, o Afoxé foi declarado patrimônio imaterial do município pela Secretaria de Cultura e Turismo Criativa do Estado do Rio de Janeiro, reforçando seu papel na preservação da memória e das tradições afro-brasileiras.


A relevância do Mona Kinsaba também se reflete na responsabilidade assumida em 2025: o bloco foi convidado para encerrar o Desfile das Campeãs do Carnaval de Três Rios, na Avenida Condessa do Rio Novo, coroando sua trajetória de crescimento e reconhecimento popular.

À frente da organização está Ronnie Fernando Costa Fernandes, que define o Afoxé como um rito em movimento. “Estar aqui não é apenas colocar um bloco na rua; é cumprir um rito. O Mona Kinsaba nasce da força da terra e do sagrado. Nosso nome carrega a energia das folhas, o segredo da cura e o fôlego da vida que vem da natureza”, afirma.

A direção artística é assinada por Alessandra Sanas, com a percussão conduzida por Adriano, Gabriel e Sidney, responsáveis pelo ritmo Ijexá, toque tradicional que saúda os Orixás e embala o desfile. A harmonia fica sob a coordenação de Adelma Silva, enquanto Luccas Moraes responde pela direção de patrimônio. Os figurinos, criados por Ana Luiza Fernandes, utilizam as cores branca, verde, amarela, vermelha e preta — referências às bandeiras do Brasil e de Angola — reforçando os laços com a ancestralidade bantu e iorubá.

Caracterizado como “Candomblé de Rua”, o Afoxé Mona Kinsaba realiza rituais antes de cada saída, pedindo licença, espalhando axé e perfumando o caminho, transformando o desfile em um ato de fé, cultura e proteção coletiva.

Mais do que entretenimento, o bloco se define como um quilombo itinerante. Ao ocupar o espaço público com atabaques, cantos e símbolos sagrados, o Mona Kinsaba promove educação cultural, fortalece a identidade negra e combate o preconceito por meio da arte e da tradição.


Com a expectativa de mais um desfile marcante na Avenida Condessa do Rio Novo, o Afoxé Mona Kinsaba convida a população a vivenciar essa experiência. “O Mona Kinsaba é folha que não cai, é raiz que se aprofunda. Que as folhas nos cubram e o Ijexá nos guie. Laroyê! Axé!”, conclui o presidente.

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