Um Vulcão Em Extinção

Quando ainda muito jovem, acreditava em um velho ditado, talvez conhecido por você, leitor, de que “pau que nasce torto morre torto”. Mas o que para muitos poderia passar como um mero dito popular, para mim parecia ser uma injusta projeção de meu futuro.

Por que eu não podia mudar? Por que teria que viver exatamente da mesma forma a vida toda? Eram perguntas que me incomodavam, mas eu não fazia ideia de onde encontrar suas respostas.

Tinha que conviver então com a sensação de impotência e de condenação, que me fazia supor um destino de irreversível fracasso na convivência.

No trato com meus mais achegados (e os nem tão achegados também), não era incomum sentir que, de dentro de mim, a qualquer momento pudesse explodir um vulcão que, sem razão aparente, me fazia reagir totalmente sem controle sobre minhas atitudes e palavras.

Eu não sabia conter essas explosões, e quando ocorriam, a lava que saía queimando deixava depois seu lastro de prejuízo em meus sentimentos e uma sensação desconfortável de tristeza pela forma como eu tinha ferido os vínculos com seres queridos.

Mas como mudar?

Tempos se passaram convivendo com essa fúria, até que certo dia descobri conhecimentos que me ajudariam a aprender mais sobre essa “geologia interna” que tanto me fazia mal.

Guiada pelas páginas dos livros, e com muita observação e estudo, descobri o nome do tal vulcão, suas causas, e como se agitavam seus movimentos até chegar à explosão. Ele possuía características de arrebatamento e irreflexão no que me provocava.

Fui aprendendo então o que devia fazer, qual antídoto aplicar para debilitar a força daquela característica, até chegar, um dia, a neutralizá-la completamente em meu temperamento.

Nesta investigação, descobri, porém, que era uma característica que tinha trazido comigo e, portanto, de que não me livraria com poucos esforços. Teria que me empenhar muito para chegar a não permitir que afetasse minha paz interna.

Munida de perseverança, fui aprendendo a exercitar em minha mente o pensamento antídoto da contenção, e, aos poucos, conseguindo usá-lo para imobilizar a característica negativa antes que explodisse, impedindo que descarregasse seus arrebatamentos e conturbasse meus estados de ânimo.

Afinal, “pau que nasce torto morre torto?”

Hoje, comparando a forma como me conduzo em determinadas situações com as reações que experimentava antes, considero que o tal vulcão já está sob controle. E só isso já é motivo de muita alegria!

Quantas energias psicológicas e quantos afetos têm sido poupados com o que aprendi, e quanta liberdade sinto por não experimentar mais a sensação do vulcão se armando dentro de mim para entrar em erupção!

Noutro dia, vivi mais uma prova dessa conquista quando tive a oportunidade de assistir a um desses momentos em outra pessoa, e enquanto o observava naquele embate com seus pensamentos impulsivos, me transportei para o passado, recordando quando apenas estar presente numa cena daquelas já era motivo suficiente para que o meu vulcão começasse a se mexer.

Aí pude constatar, com muita alegria e gratidão aos conhecimentos que venho alcançando, que não só não experimento mais aquele “contágio”, como ainda posso utilizar as energias, que antes seriam consumidas por aquelas labaredas mentais, para serenamente observar e aprender mais sobre o que acontece na minha mente, e quanto tenho podido me superar e me libertar, com o que vai se constituindo no conhecimento de mim mesma!

Enfim, consegui provar com a minha vida o que aquela jovem acreditava impossível: pau que nasce torto não está condenado a morrer torto!

Um pensamento da estudante e docente Sheila Soares

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