Educação Humanizadora onde se FALA COM SABEDORIA, ENSINA COM AMOR (Pr 31,26)

“Mais importante que escutar as palavras,

é adivinhar as angústias,sondar os mistérios, escutar o silêncio”

(Dom Hélder Câmara).


A Campanha da Fraternidade deste ano, que teve início na quarta-feira de cinzas junto com a quaresma, tem como tema “Fraternidade e Educação”e lema: “Fala com sabedoria, ensina com Amor” (Pr 31,26). Importa, nesse momento, é compreender essa campanha a partir de alguns elementos fundamentais para o entendimento da sua amplitude pastoral, eclesial e social, como compartilha conosco a sua síntese o Prof. Gilberto Simplício, assessor do MF&P-Movimento Fé e Política em Três Rios.

O primeiro é situar a temática da educação dentro dessa realidade única e sofrida em que estamos inseridos.

A pandemia em que vivemos, já há dois anos, o clima de conflitos, a violência e o ódio, que vêm sendo uma realidade política nos últimos tempos, junto com a perda de direitos e o aumento da pobreza em nosso país e agora as situações de guerras que atingem o mundo, faz-nos repensar a prática educativa dentro de uma visão cada vez mais integral e diversificada.

A Educação é um direito de todos e de todas e possui uma abrangência muito mais ampla do que o processo que ocorre no espaço escolar.

Entretanto, durante a Pandemia, ficou evidente o papel fundamental que a escola tem para o bem-estar de uma sociedade e de seus membros.

Apesar de ter havido o esforço de se implantar o ensino remoto em muitas escolas, principalmente nas escolas privadas, onde os alunos têm acesso direto e mais eficiente aos meios de informatização e de internet (na escola pública foi um verdadeiro fracasso), a falta do espaço escolar e da figura presencial do professor foram sentidas de modo significativo.
 
A escola é mais que um espaço de aprendizado mecânico, é um lugar de aprendizado a partir das relações humanas e afetivas.

Isso, sem dúvida nenhuma, fortalece a ideia de que não podemos limitar a escola apenas a um lugar de aprendizado técnico.

Cabe destacar, nesse contexto, o perigo de serem retiradas do Ensino Médio as diversas disciplinas que ajudam a pensar o ser humano e o mundo na sua integralidade (Filosofia, Sociologia).
 
A Escola não pode ser limitada à necessidade do mercado, mas deve ser pensada como um lugar do saber crítico e livre, onde formamos cidadãos que pensem a vida e não agentes (técnicos e cientistas), que, na busca desenfreada de lucro, criam tecnologias de guerra e de morte.

Por isso destacamos aqui a importância de haver uma escola humanista e emancipatória que ajude a construir uma sociedade mais justa e de paz.
 
Outro espaço fundamental para a educação é a família. Com a pandemia, a valorização do espaço familiar foi percebida e sentida por todos nós.

E fica mais claro ainda que este deve ser também um espaço dessa educação humanizadora. Vivemos momentos difíceis em que sentimos a perda de entes e amigo (a)s querido(a)s que, infelizmente, a COVID nos levou.

O isolamento levou ao crescimento de algumas doenças, que, na verdade, já estavam presentes, mas ficaram mais evidentes e latentes em nosso meio, como a depressão e outras de caráter psicológico e emocional.
 
A família deve ser um espaço de solidariedade e de apoio múltiplo e essa prática precisa ser um aprendizado permanente para os seus membros.

E a Igreja, sem dúvida nenhuma, onde se dá a Educação da fé, através da catequese, das reflexões em comunidades e nas diversas pastorais e movimentos, é um espaço onde a educação humanizadora deve ser presença também, através da práxis cristã, em que a fé e a ação sejam uma relação constante que façam dos mais pobres a sua opção preferencial.

O segundo elemento importante nessa Campanha da Fraternidade é o novo caminho metodológico. O método: Ver – Julgar – Agir, utilizada pelas outras Campanhas da Fraternidades, foi trocado por: Escutar – Discernir – Agir.

O Escutar só é possível se consigo me aproximar, se me torno próximo daquela realidade, e, para isso, faz-se necessário que me coloque aberto ao outro em suas situações.

Saber discernir passa a ser importante para entendermos a realidade e nos colocarmos em condições de entender a escuta e mudar aquela situação, e o nosso agir faz-se mais eficaz se percorrermos esse caminho proposto tendo como referência a prática de Jesus educador.
 
Nesse elemento, o referencial estruturante que perpassa todas as etapas é a passagem do Evangelho de João 8, 1-11, sobre o momento em que Jesus ensinava um grupo de pessoas; episódio que vai demonstrar, na prática, como utilizar a sabedoria praticando o amor.

Essa passagem é o relato da mulher julgada por adultério, momento em que Jesus, escutando e discernindo, deixa claro que o mais importante é a pessoa.

Naquele caso, a mulher sofre todo o preconceito da época, e ocorre um julgamento já pré-realizado na mente das pessoas presentes, no qual a exclusão e a morte da mulher já estavam decididas.

Jesus escolhe outro caminho. Nesse sentido, a escuta e o discernimento foram fundamentais para trazer a mulher para o centro, para a comunidade, ou seja, para a vida.

Enfim, somos chamados a nos humanizar diante de tanta violência, preconceitos e exclusões.Que o espírito quaresmal nos leve a uma profunda conversão, individual e social, na qual os seres humanos, na sua totalidade, sejam respeitados na sua dignidade de povo e filhos e filhas de Deus.

Medoro, irmão menor-padre pecador

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