Na data celebrada em 25 de agosto, iniciativas aproximam produtores e consumidores, incentivam a alimentação saudável e contribuem para a geração de renda e a redução do desperdício
Foto: Alex Ramos
A força dessa tradição se traduz também em números. O Brasil conta com 9.234 feiras livres, segundo o Censo do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), elaborado a partir de dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC/IBGE). O Sudeste concentra 4.453, quase metade (48%) do total nacional. Na capital fluminense, são cerca de 160 feiras livres distribuídas pelos bairros.
Mais do que pontos de venda, as feiras movimentam uma cadeia que vai da produção à mesa das famílias. Também oferecem ao consumidor a possibilidade de pesquisar preços, escolher produtos da estação e comprar apenas a quantidade necessária.
Entre tradição, novos feirantes e fregueses fiéis
Feirante há 10 anos, Sérgio Roberto, de 56 anos, representa uma atividade que, em muitas famílias, atravessa gerações.
“Tudo começou com meus avós, por volta de 1950. Eles vendiam na praça o que colhiam na chácara onde moravam. Depois, minha mãe passou a ajudar na barraca e foi com ela que aprendi tudo o que sei. Em 2016, assumi o negócio sozinho e hoje faço cinco feiras por semana. A feira faz parte da história da minha família”, conta.
Entre uma venda e outra, Sérgio diz que o segredo para manter a freguesia também está na relação construída com os clientes. “Vendo batata, cebola, alho e ovos, mas o campeão é o ovo caipira de quintal, fornecido por um freguês da própria barraca. Para ser feirante, é preciso gostar de lidar com as pessoas e oferecer produtos de qualidade. O importante é o cliente sair satisfeito e voltar”, afirma.
A tradição também ganha novos caminhos com uma geração mais jovem. Caio Fernando, de 23 anos, é feirante há seis e vende frutas. Para ampliar a freguesia, aposta na organização da barraca, no atendimento e nas redes sociais.
“Ser feirante não é fácil. É preciso ter produto de qualidade e atender bem para conquistar o cliente. Hoje, as redes sociais também ajudam. Consigo divulgar meu trabalho e chegar a fregueses de lugares onde a barraca nem está”, conta.
Do outro lado da barraca, Bernadete Ribeiro, de 75 anos, frequentadora da feira da Rua Moraes e Silva, na Tijuca, não abre mão da visita semanal.
“Toda quinta-feira venho à feira. Aqui consigo comparar preços, escolher produtos mais frescos e comprar a quantidade de que preciso. Dependendo do horário, ainda encontrar boas promoções. Além de economizar, a gente ajuda quem vive desse trabalho. A Feira é tudo de bom”, conta.
Safra de agosto tem opções para todos os gostos
Escolher produtos da estação pode ser uma estratégia para economizar e variar o cardápio. Em agosto, entre as opções estão abacate, acerola, banana-prata, laranja, mamão, morango e tangerina, além de abóbora, abobrinha, chuchu, mandioca, brócolis, couve e espinafre.
A maior oferta dos alimentos da época costuma favorecer preços mais acessíveis e produtos frescos. Os valores, porém, podem variar entre as feiras e até entre as barracas, fazendo da pesquisa uma aliada do consumidor.
Para Fábio Caetano, de 51 anos, que vende verduras e legumes, aproveitar a safra é uma forma de oferecer qualidade e preços mais em conta.
“Quando o produto está na safra, chega em maior quantidade, com boa qualidade e geralmente com preço melhor. Na feira, a mercadoria também é mais fresca porque compro todos os dias”, conta.
Leis aproximam o campo da mesa dos fluminenses
A Alerj aprovou leis que associam as feiras à agricultura familiar, à segurança alimentar e ao acesso a produtos naturais. A Lei 8.473/19, que instituiu a Política Estadual de Apoio à Agricultura Urbana, incentiva as feiras livres e outras formas de comercialização direta entre produtores e consumidores.
Já a Lei 10.139/23, que criou o Programa Oásis Alimentar, prevê o estímulo à implantação de feiras livres em parceria com cooperativas de agricultores familiares e assentamentos agrários, além de incentivar pequenos mercados a ampliarem a oferta de alimentos in natura ou minimamente processados.
A Lei 10.233/23, que criou o Programa Guia Alimentar para a População Brasileira nas Escolas, também incentiva a compra de alimentos da estação em feiras livres, feiras orgânicas, sacolões e mercados.
As iniciativas aproximam quem produz e comercializa dos consumidores em busca de alimentos frescos e preços que caibam no orçamento.
Preço baixo sem desperdício
Encontrar uma boa promoção é apenas parte da economia. Para que o preço mais baixo realmente faça diferença no orçamento, é preciso planejar as compras e evitar que os alimentos acabem no lixo.
Segundo Lilian Gullo, nutricionista há 40 anos, esse cuidado começa antes mesmo de sair de casa. “A economia começa com a verificação do que já existe na geladeira e com o planejamento das refeições da semana. Não adianta comprar mais só porque o preço está bom e depois deixar o alimento estragar. A verdadeira economia está em escolher bem, levar a quantidade necessária e aproveitar ao máximo o que compramos”, explica.
A nutricionista recomenda comprar frutas em diferentes estágios de maturação, armazenar corretamente os produtos e congelar o que não será consumido rapidamente. Frutas muito maduras podem virar vitaminas, bolos e compotas, enquanto talos e folhas próprios para consumo e corretamente higienizados podem ser aproveitados em sopas, refogados e omeletes.
Entre a tradição e novos hábitos de consumo, as feiras seguem se renovando. No Dia do Feirante, as leis aprovadas pela Alerj reforçam uma atividade que gera renda, aproxima o campo da mesa e contribui para uma alimentação mais saudável e com menos desperdício. AscomAlerj/ Fátima Gomes

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