Agosto Dourado reforça a importância do aleitamento materno para a saúde de mães e bebês

Campanha destaca benefícios do leite materno, combate mitos e chama atenção para a importância da rede de apoio e de condições adequadas para a continuidade da amamentação


Considerado o padrão-ouro da alimentação infantil, o leite materno reúne nutrientes e componentes de defesa fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento do bebê. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, a campanha reforça que amamentar vai muito além da nutrição: é também uma importante estratégia de proteção à saúde da criança e da mãe.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, sem necessidade de oferecer água, chás, sucos ou outros tipos de leite nesse período. Depois disso, a amamentação deve continuar junto à introdução da alimentação complementar até os dois anos ou mais. Segundo a ginecologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, Dra. Paula Andrezza, a composição do leite materno se adapta às necessidades do bebê ao longo do tempo. O colostro, produzido nos primeiros dias após o parto, possui características diferentes do leite maduro, e até mesmo durante uma mesma mamada sua composição se modifica, oferecendo inicialmente mais líquido e, posteriormente, maior concentração de gordura.

Além de fornecer proteínas, gorduras, lactose, vitaminas e minerais em proporções adequadas ao organismo do bebê, o leite materno contém DHA, importante para o desenvolvimento cerebral e visual, e componentes como anticorpos, lactoferrina e lisozima, que contribuem para a defesa contra microrganismos. A amamentação está associada à redução do risco de infecções respiratórias e gastrointestinais, diarreias, alergias e outras doenças ao longo da vida. Para a mãe, também estão entre os benefícios a redução do risco de câncer de mama e de alguns tumores ovarianos, além de favorecer a recuperação do peso após a gestação. “Nos primeiros seis meses o bebê não precisa de mais nada: nem água, nem chá, nem outro leite. O leite materno também representa economia para as famílias, por não exigir a compra de fórmulas, além de favorecer o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê”, explica a Dra. Paula.

Apesar dos benefícios, a amamentação pode ser desafiadora, especialmente nas primeiras semanas. Dor, lesões nos mamilos, infecções mamárias, privação de sono, ansiedade e as mudanças na rotina familiar podem dificultar a continuidade do aleitamento. A médica afirma que a chamada hipogalactia, ou baixa produção de leite, é uma condição rara e destaca que muitas situações interpretadas como falta de leite estão relacionadas à pega inadequada, mamadas espaçadas, cansaço, ansiedade ou falta de orientação. “Na maioria das vezes, ansiedade, tristeza materna (blues puerperal) ou até mesmo falta de orientação são os principais fatores envolvidos em dificuldades na amamentação que são muito confundidos com ‘baixa produção de leite’”, afirma. Por isso, o acompanhamento profissional no pós-parto é importante para identificar precocemente possíveis dificuldades e orientar a mãe de maneira individualizada.

Outro desafio importante é a conciliação entre amamentação e trabalho. No Brasil, o retorno à atividade profissional pode acontecer antes do período recomendado de aleitamento materno exclusivo, especialmente diante da ausência de condições adequadas para ordenha e armazenamento do leite no ambiente de trabalho. Para a ginecologista, esse cenário pode contribuir para a redução da produção de leite e para o desmame precoce.

A preparação para esse momento pode começar algumas semanas antes do retorno. A mãe pode aprender técnicas de ordenha, organizar uma rotina de armazenamento e buscar informações sobre as condições oferecidas pelo empregador, como pausas para ordenha, local apropriado e estrutura para conservação do leite. A orientação profissional também ajuda a definir a melhor estratégia para cada caso.

A rede de apoio, por sua vez, tem papel fundamental. Familiares e pessoas próximas podem contribuir com tarefas domésticas, cuidados com o bebê e momentos de descanso, permitindo que a mãe tenha tempo para se alimentar, tomar banho ou simplesmente recuperar as energias. “O bem-estar da mãe é essencial, e a família tem papel fundamental nesse momento tão delicado da vida. Amamentar é responsabilidade de todos: familiares, empregadores e redes de saúde precisam apoiar”, ressalta a especialista.

Para a ginecologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, garantir informação, acompanhamento e uma rede de apoio adequada é fundamental para que a recomendação de aleitamento materno seja possível na prática. “O principal motivo de desmame precoce no Brasil é o retorno precoce ao trabalho”, afirma. Nesse contexto, o Agosto Dourado amplia o debate e reforça que promover a amamentação significa criar condições para que mães e bebês possam vivenciar esse período com mais segurança, informação e acolhimento. Assessoria HCNSC

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