Golpes digitais: a prevenção ainda é a melhor defesa


Os golpes virtuais cresceram de forma assustadora nos últimos anos. Diariamente, milhares de brasileiros recebem ligações, mensagens de WhatsApp, e-mails ou SMS tentando convencê-los a fornecer dados pessoais ou realizar transferências bancárias.

Uma reportagem recente publicada pelo G1 trouxe um dado que merece atenção: no Estado do Rio de Janeiro foi registrado, em média, um caso de estelionato a cada quatro minutos no ano passado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Mais do que um número, essa estatística revela uma realidade preocupante. Os criminosos estão cada vez mais organizados, utilizam tecnologia, inteligência artificial, bancos de dados vazados e técnicas de engenharia social para convencer as vítimas.

Outro aspecto destacado pela reportagem é que, embora o Código Penal já diferencie desde 2021 o estelionato praticado por meio eletrônico, o Estado do Rio de Janeiro ainda está implementando essa classificação específica em seus sistemas. Isso dificulta a produção de estatísticas mais precisas e o planejamento de ações direcionadas ao combate desse tipo de crime.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os golpes mais frequentes são:

• Clonagem ou troca de cartão – 45%;

• Golpe do WhatsApp – 34%;

• Falsa central bancária – 31%;

• Golpe do Pix – 24%.


Embora as modalidades sejam diferentes, praticamente todas possuem a mesma estratégia: fazer a vítima agir sem pensar.

O criminoso cria um cenário de urgência. Diz que sua conta será bloqueada, que houve uma compra suspeita em seu cartão, que um familiar sofreu um acidente ou que existe um dinheiro disponível para saque, desde que uma transferência seja feita imediatamente.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Estado do Rio de Janeiro registrou, em média, um caso de estelionato a cada 4 minutos no último ano.


Quando a vítima entra em desespero, medo ou até mesmo euforia, acaba deixando de lado aquilo que mais poderia protegê-la: o raciocínio crítico.

Por isso, a principal recomendação é simples: desconfie da pressa.

Recebeu uma ligação do suposto banco? Desligue e ligue para o número oficial da instituição.

Recebeu uma mensagem de um amigo ou familiar pedindo dinheiro? Não responda imediatamente. Ligue para o telefone que você já possui salvo e confirme se realmente foi aquela pessoa quem enviou a mensagem.

Recebeu um link para atualizar cadastro ou liberar uma compra? Antes de clicar, verifique a origem e confirme a informação pelos canais oficiais.

Nunca informe senhas, códigos enviados por SMS ou códigos de autenticação a terceiros. Instituições financeiras sérias não solicitam esse tipo de informação por telefone ou aplicativos de mensagens.

Infelizmente, mesmo com todos os cuidados, ninguém está totalmente imune. Caso o golpe aconteça, é fundamental agir rapidamente. Entre em contato imediatamente com seu banco para comunicar a fraude e tentar bloquear ou rastrear a operação. Se a transferência foi realizada por Pix, informe a instituição financeira o quanto antes para verificar a possibilidade de utilização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para situações de fraude.

Também é essencial registrar um boletim de ocorrência, guardar todas as conversas, comprovantes, números de telefone e demais provas, além de procurar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis, inclusive quanto à eventual responsabilização civil dos envolvidos.

A tecnologia trouxe inúmeras facilidades para nossa vida, mas também abriu espaço para novas formas de criminalidade. Combater esses golpes é responsabilidade das autoridades, das instituições financeiras e das plataformas digitais. Entretanto, a primeira barreira de proteção continua sendo o próprio cidadão.

Lembre-se: golpista tem pressa. Quem age de boa-fé não se incomoda quando você confirma uma informação. Antes de qualquer pagamento ou compartilhamento de dados, pare, confirme e só depois decida. Esse simples hábito pode evitar um enorme prejuízo.

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