Os dois pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e continuam sem carga viral detectável. Um deles, conhecido como paciente de Kansas City, está há 14 meses sem os medicamentos. O outro completou 12 meses sem tratamento e também não apresentou retorno do vírus nos exames.
Os dois passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue. Em ambos os casos, os doadores apresentavam duas cópias de uma rara mutação genética conhecida como CCR5-delta32, que dificulta a entrada das formas mais comuns do HIV nas células.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ainda tratam os casos como possíveis curas. Segundo especialistas, é necessário acompanhar os pacientes por mais tempo para confirmar se o vírus não voltará a se multiplicar.
O infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o termo mais adequado neste momento é “remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais”.
Transplante não é tratamento comum contra o HIV
Apesar dos resultados, o transplante de células-tronco não pode ser utilizado como tratamento convencional contra o HIV. O procedimento é de alto risco e pode provocar infecções graves, rejeição, danos a órgãos e até morte.
Os pacientes receberam os transplantes para tratar doenças graves do sangue, e não como tratamento contra o HIV. Os cientistas estudam agora maneiras de reproduzir os efeitos observados nesses casos por meio de terapias mais seguras, incluindo anticorpos, medicamentos que estimulam o sistema imunológico e terapias genéticas.
Até o momento, os antirretrovirais continuam sendo a forma comprovada de manter o HIV indetectável e impedir a transmissão sexual.

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