Desafios à missão Católica

Após um percurso de quatro anos, o episcopado brasileiro concluiu, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, a construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto recolhe, entre as diversas fontes que o inspiram, as contribuições oferecidas pelo Inapaz - Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi - sobre o crescimento da Igreja Católica. E é da síntese dessa análise que participo compartilhando.

Foi divulgado, na semana passada, o aumento do número de católicos no mundo. De acordo com os dados do Anuário Pontifício 2026 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2024, os católicos no mundo somam pouco mais de 1,422 bilhão de pessoas em 2024, ante 1,406 bilhão em 2023. O aumento foi de 1,14%, cerca de 16 milhões de fiéis. Os números proporcionam interpretações, análises e guiam tomadas de decisão em toda parte. Os dados do Anuário Pontifício mostraram que a participação dos católicos na população global permaneceu estável, em torno de 17,8%. A América continua como o continente com maior número de católicos, concentrando 47,7% do total mundial e com 64% da população que se declara católica.

No Brasil, os dados do Censo 2022 apontaram para o número de 56,7% de católicos no país, uma redução de 8,3% em relação a 2010. Porém, a redução foi menor que a década anterior. Outro destaque diz respeito ao aumento no número de pessoas sem religião, freando a expectativa de aumento crescente no número de evangélicos. Trata-se de uma mudança de cenário. Os dados do Censo 2022 “constatam uma mudança importante”, segundo a análise do Inapaz apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB: “O Brasil deixa de ser um país hegemonicamente católico para se configurar como uma nação religiosamente plural e dinâmica”.

Essa análise reforça o que tem sido apresentado pelo Inapaz desde o ano passado, quando começaram a ser divulgados os recortes sobre religião a partir do Censo. A compreensão é de que os números censitários “são insuficientes para uma aproximação mais consistente da realidade no ethos religioso brasileiro. Eles precisam ser interpretados, entre outros aspectos, à luz de aspectos culturais mais amplos”. Assim, as análises de conjuntura eclesial elaboradas pelo Inapaz tiveram a preocupação de analisar não só os dados do Censo, mas o modo como pessoas e grupos lidam com a vida, com a dimensão religiosa em geral e com o catolicismo em particular, o chamado ethos religioso.

De acordo com o Inapaz, a experiência religiosa brasileira se deslocou de um perfil monocêntrico, institucional, doutrinal e estático para um perfil altamente plural, individualizado. “O Brasil está passando da cristandade para a pós-cristandade, no qual o cristianismo se torna uma escolha pessoal em um contexto bastante plural, perdendo força institucional”. Além desses aspectos há um contexto mundial de policrise, o que é entendido a partir do termo utilizado por Edgar Morin a respeito das mudanças nos diversos âmbitos da vida humana como sintomas de uma crise maior da civilização ocidental.

Assim, observa o Inapaz, “o desafio consiste em anunciar o Evangelho em um contexto no qual crer já não significa necessariamente pertencer nem seguir”. “Trata-se de redescobrir a força do testemunho, da comunidade e do encontro pessoal como caminhos privilegiados para que a fé cristã continue a oferecer sentido, esperança e horizonte à existência humana no Brasil de hoje. Trata-se de buscar itinerários para que a fé seja transmitida às novas gerações, seja alimentada e mantenha seu vigor profético-solidário”.

Estamos, pois, diante da exigência de uma “conversão pastoral e missionária.“Tal conversão passa pela redescoberta da centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, pela valorização das pequenas comunidades como mediações privilegiadas em uma sociedade fragmentada, pelo fortalecimento da iniciação à vida cristã, pela adequada animação bíblica da vida e da pastoral, pela integração entre liturgia e piedade popular e pelo compromisso com a transformação da realidade à luz do Evangelho”.

Medoro, irmão menor-padre pecador

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