Solidariedade aos irmãos venezuelanos

Em comunhão orante solidária compartilho com o nosso grupo Padres da Caminhada a

Nota de repúdio à intervenção norte-americana à Venezuela

e solidariedade com o povo venezuelano

Nós, Padres da Caminhada, repudiamos veementemente os ataques dos Estados Unidos da América ao país irmão de Continente, a Venezuela. Foi uma violação à soberania de um Estado que tem seu direito de governar seus próprios interesses, território e população sem interferência externa de qualquer ordem. Este é um pilar do Direito Internacional que garante autonomia e autodeterminação a qualquer país. Nenhum país pode desrespeitar esse Direito, pois quando isso acontece gera uma instabilidade generalizada ao concerto das nações. Depois do período da guerra fria, os Estados Unidos da América têm permanentemente violado esse consenso global, de acordo com seus interesses, sobretudo econômico. E desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 30 países já sofreram com intervenções militares norte-americanas de forma direta, sendo algumas em larga escala como as guerras na Coreia, Vietnã, Afeganistão e Iraque. E sua participação em outras guerras, de forma indireta, são incontáveis, sendo as mais recentes o conflito entre Israel e Palestinos e Rússia e Ucrânia.

Vejamos a lista de intervenções diretas e indiretas dos EUA nos conflitos mundiais: Japão (6 e 9/8/1945, com bombas atômicas); Coreia do Norte e China (Guerra da Coreia, 1950–1953); Guatemala (intervenções e golpes apoiados pelos EUA em 1954, 1960, 1967–1969); Indonésia (apoio a rebeldes em 1958); Cuba (Invasão da Baía dos Porcos em 1961, entre outras intervenções); Congo/Zaire (intervenção em 1964); Laos (bombardeado de 1964–1973); Vietnã (Guerra do Vietnã, 1961–1973); Camboja (campanhas de bombardeio de 1969–1970); El Salvador e Nicarágua (intervenções e apoio a forças militares nas décadas de 1980); Líbano e Síria (envolvimento militar em 1983, 1984, e novamente a partir de 2014 na Síria); Líbia (bombardeios em 1986, 2011, e 2015); Irã (confrontos navais em 1987 e operações falhadas em 1980); Panamá (invasão em 1989); Iraque (Guerra do Golfo em 1991, subsequentes zonas de exclusão aérea, e a Guerra do Iraque de 2003-2011, seguida de intervenção contra o Estado Islâmico); Kuwait (Guerra do Golfo em 1991); Somália (intervenções em 1993, 2007–2008, e operações contínuas); Bósnia e Herzegovina (bombardeios em 1994, 1995 como parte da operação da OTAN) Sudão (ataques com mísseis de cruzeiro em 1998); Afeganistão (ataques em 1998 e a Guerra do Afeganistão de 2001–2021); Iugoslávia/Kosovo (campanha de bombardeio da OTAN em 1999); Iêmen (ataques com drones e operações militares contínuas desde 2002); Paquistão (ataques com drones e operações desde 2003).

No Continente Latino-Americano e Caribenho são inúmeras as participações dos EUA em Golpes de Estado em diversos países. Foram incontáveis as ditaduras promovidas e sustentadas entre nós como: Paraguai com Stroessner, Chile com Pinochet, Argentina com Ongania, Levingston, Lanusse, Videla, Viola, Galtieri e Bignone; Uruguai com Bordaberry, Méndez, Alvarez, Demicheli e Addiego; Brasil com Castelo Branco, Costa e Silva, Geisel e Figueiredo; e um caso emblemático é o de Porto Rico, que não se transformou em novo Estado norte-americano, e tampouco tem soberania plena, mas funciona verdadeiramente como colônia norte-americana.

Em nosso país, mais recentemente, a intervenção se deu no campo econômico, por meio do tarifaço, e no campo político, com a aplicação da Lei Magnitsky em membros do judiciário brasileiro.

Endossamos a perspectiva do Papa Francisco, em sua entrevista em 2022 à Telam, agência de notícias da Argentina: "A América Latina ainda está nesse caminho lento de luta, do sonho de San Martin e Bolívar pela união da região. A região foi vítima e será vítima até hoje até que se liberte completamente dos exploradores imperialistas. Não precisa mencioná-los porque são tão óbvios que todo mundo vê. A América Latina será vítima até que se libertar do imperialismo"

O atual ataque norte-americano à Venezuela gera um clima de instabilidade em todo o nosso Continente. Só nos resta a união entre os países ainda livres da América Latina e Caribe para dizermos um alto e forte não à intervenção Norte-Americana em Venezuela, pois todos fazemos parte de um projeto de Pátria Grande livre e Soberana!

Padres da Caminhada Brasil - 2026
Medoro, irmão menor-padre pecador

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