As várias vidas do ser humano

Sobre as grandes questões da vida, uma delas se destaca: como equilibrar as diferentes vidas que vivemos?Como escapar da pressão do tempo e dedicar-se ao que realmente é importante?Que recursos buscar para alcançar uma maior harmonia e um sentido mais elevado na vida?

O ser humano, em sua trajetória, experimenta uma multiplicidade de vidas que se entrelaçam no cotidiano dentro de uma só: a vida familiar, a profissional, a social, a esportiva, entre outras. Cada uma possui sua essência e suas próprias demandas e, hoje, alcançar o equilíbrio entre elas tornou-se um desafio constante.

É comum sentirmos que essas vidas se misturam, competindo entre si por um recurso precioso e fundamental: o tempo.

A Logosofia, ciência que estuda o ser humano, o mundo mental ou metafísico e as leis universais que regem a Criação, nos convida a ir além da simples gestão do calendário. Ela apresenta uma verdade profunda: o tempo é a essência oculta da vida, é a própria vida em sua plena extensão.

Ao tomarmos consciência do tempo dedicado a cada uma dessas vidas, podemos organizá-las segundo suas naturezas, atribuir-lhes o devido valor e reconhecer, com lucidez, que vivemos várias vidas simultaneamente.

O primeiro passo para essa organização consciente é a reflexão, que nos leva a questionar: o que de fato importa para mim? Que propósitos busco alcançar em cada uma dessas vidas? É nesse ponto que nossa inteligência e sensibilidade, orientadas pela faculdade de discernir e julgar, são mobilizadas para estabelecer metas claras para cada uma delas.

O criador da Logosofia, González Pecotche, ensina que a vida deve ser cultivada como um jardim.
Nessa analogia, todas as possibilidades de realização são como plantas, e as “flores” que colhemos são as consequências úteis de nossos esforços – o cumprimento dos propósitos que traçamos. Por exemplo, na vida familiar, o propósito pode ser dedicar tempo de qualidade à própria família; na vida profissional, alcançar as metas estratégicas da empresa; e na vida física, assegurar a saúde por meio da disciplina na alimentação e nos exercícios.

E algo que descobri estudando minha própria vida foi a relação entre esses propósitos e a felicidade. Essa conexão suaviza nossa jornada, pois, conforme ensina a Logosofia, a felicidade é algo que a vida nos concede por meio de pequenas porções de bem que conquistamos diariamente.

Não se trata de esperar por um único momento de intensa alegria, mas de colecionar, de forma consciente, essas pequenas porções em cada uma de nossas vidas, construindo uma grande reserva interna que nos fortalece diante das dificuldades que precisamos enfrentar.

Ainda que a organização e o cumprimento dos propósitos nas vidas externas tragam momentos de alegria e satisfação, eu ainda me questionava sobre o verdadeiro propósito da vida. Será que ser um bom pai, filho, irmão, profissional, amigo é tudo o que tenho a cumprir nesta vida – ou existe algo maior?

Questões como “por que estou aqui?” e “qual é o meu papel neste mundo?”ainda não eram respondidas apenas pelo cumprimento dos propósitos daquelas várias vidas.Foi na profundidade desses questionamentos que surgiu a descoberta mais relevante: a vida interna.

“A tarefa de aperfeiçoamento deve abranger toda a existência…” Introdução ao Conhecimento Logosófico

Flávio Guimarães – Investigador e docente de Logosofia
Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana

www.logosofia.org.br—rj-tresrios@logosofia.org.br

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