Segundo médico do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, as enfermidades avançam em meio à pobreza, ao saneamento precário e ao desconhecimento da população
Apesar de atingirem mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) ainda permanecem fora do centro das políticas públicas e do debate social. Para chamar atenção para este cenário, foi criado o Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, celebrado no dia 30 de janeiro. O objetivo é conscientizar a população em geral sobre o impacto dessas doenças e promover ações combativas relacionadas a essas condições.
Segundo o Dr. Antonino Adriano Neto, infectologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, as Doenças Tropicais Negligenciadas são um grupo de doenças transmissíveis que prosperam principalmente em condições tropicais e subtropicais. “Elas são chamadas de negligenciadas porque não recebem a mesma atenção política, financeira ou de pesquisa que doenças como HIV ou malária, apesar de afetarem tantos pacientes”, explica. Alguns exemplos de DTNs incluem a dengue, leptospirose, doença de Chagas, esquistossomose e febre amarela.
No Brasil, esse cenário é agravado por desigualdades históricas e condições socioambientais que criam um ambiente propício para a manutenção e a expansão dessas enfermidades, principalmente em áreas periféricas e rurais. “As DTNs persistem devido à combinação de clima favorável aos vetores (como mosquitos e caramujos) e a existência de bolsões de pobreza extrema onde a infraestrutura é precária. Isso inclui doenças como a tuberculose e hanseníase, muito comuns quando a pobreza extrema afeta essas populações”, completa o Dr. Antonino.
No entanto, muitas dessas doenças negligenciadas apresentam primeiros sintomas subestimados ou facilmente confundidos com problemas mais simples, o que dificulta o diagnóstico e tratamento. A hanseníase, por exemplo, apresenta manchas claras ou avermelhadas que perdem a sensibilidade ao calor ou ao toque, o que faz com que muitos pacientes confundam com simples alergias ou infecções fúngicas. Já a doença de Chagas pode se manifestar inicialmente como uma gripe comum e, anos depois, evoluir para complicações cardíacas graves. Dessa forma, quando é realizado o diagnóstico já pode ser tarde demais para a saúde do coração.
Já no contexto local de Três Rios, algumas DTNs também são bastante comuns, como relata o infectologista: “Em Três Rios e cidades vizinhas banhadas por rios (como o Paraíba do Sul), temos a febre maculosa, principalmente nas épocas de outono e inverno, mas poucos acabam diagnosticando a doença. Além disso, devido às características urbanas, as arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e a paracoccidioidomicose (micose sistêmica grave) também são bem comuns na região. Atualmente, observamos muito também a esporotricose, infecção fúngica causada geralmente por ferimentos de gatos ou vegetações espinhosas”.
O investimento em saneamento básico, a vigilância epidemiológica, a educação em saúde e a capacitação profissional de médicos e enfermeiros são iniciativas fundamentais para lidar com as DTNs. A população também tem papel importante na prevenção das Doenças Tropicais Negligenciadas por meio de simples medidas. Com isso em mente, o infectologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição enumerou as principais práticas a serem adotadas:
● Eliminar focos de água parada para o combate da dengue;
● Manter quintais limpos para evitar o mosquito-palha, causador da leishmaniose;
● Não tomar banho em águas onde há presença de caramujos;
● Ao notar qualquer mancha na pele sem sensibilidade, procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde.
Fonte: Assessoria HCNSC


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