Páscoa: veja dicas para comprar chocolates com economia e qualidade

Data também é oportunidade para quem deseja incrementar a renda

Comércio em Três Rios é aquecido pela data. Imagem: Valber da Costa

A Páscoa é uma das épocas mais saborosas do ano, e, para aproveitá-la sem pesar o bolso ou se privar das delícias, separamos algumas dicas que podem ser úteis antes de ir às compras.

O primeiro passo é realizar uma pesquisa de preços, marcas e tamanhos para não acabar pagando mais caro por algo que costuma ser mais barato.

A internet é uma ótima ferramenta para essa pesquisa e pode ser sua aliada: confira os sites e redes sociais de supermercados e lojas especializadas, para ter em mente o valor médio dos produtos. Uma boa pesquisa é fundamental para garantir o melhor preço.

Trocar os tradicionais ovos de Páscoa por caixas de bombom ou barras de chocolate apresenta um ótimo custo benefício.

Em um supermercado de Três Rios, por exemplo, um ovo de 337g de uma marca específica custa R$39,90, enquanto uma barra de 90g da mesma marca custa R$3,99.

Quatro dessas barras saem a R$15,96 e totalizam 360g do mesmo chocolate, por uma economia superior a 50%.

Onde os ovos são indispensáveis, a solução para poupar pode estar na sua vizinhança. Comprar de pequenos produtores é uma forma de ajudar a economia local e apoiar microempreendedores, além de levar um produto de qualidade e mais em conta para casa, com diversidade de sabores e recheios.

Outra alternativa para economizar e tornar a data ainda mais especial é colocar a mão na massa. Os ovos podem ser feitos em casa, e com o auxílio das crianças é certo que o momento se torne uma divertida brincadeira. Existem muitas receitas e passo-a-passos de ovos caseiros na internet.

Saber o quanto se pode gastar com doces e guloseimas também é importante. Uma dica valiosa é estipular um valor a ser gasto com cada pessoa presenteada, e assim evitar extrapolar o orçamento.


Alternativa

Muitas pessoas aproveitam a Páscoa para garantir uma renda extra ou até mesmo dar uma impulsionada em negócios já existentes.

É o caso de Allana Freire, proprietária de uma confeitaria caseira em Levy Gasparian, que viu na data a oportunidade de incrementar o cardápio e comercializar ovos de chocolate.

A paixão por fazer doces, segundo a confeiteira, existe desde a infância, quando inventava receitas e cozinhava juntos com as amigas.

A brincadeira, no entanto, virou negócio poucos anos depois, quando Allana começou a vender brigadeiros gourmet na escola onde estudava.

Um dos ovos de colher produzidos por Allana. Imagem: Arquivo pessoal
 
Com o êxito na venda dos doces, ela resolveu se aventurar ainda mais no mundo do chocolate. “Era só eu chegar na escola que o pessoal pedia, e todo mundo gostava bastante das minhas receitas. A partir daí, eu decidi fabricar ovos de colher, e, felizmente, foi um sucesso”, comenta.

De acordo com Allana, os ovos de chocolate fabricados em confeitarias possuem inúmeras vantagens em relação àqueles industrializados.

Ela diz que, antes mesmo de começar a fabricar e comercializar ovos de Páscoa, já enxergava um melhor custo-benefício nos chocolates de confeitaria, e por isso sempre optava por eles.

“Tudo o que é feito por confeiteiro é sempre mais gostoso. Além disso, na hora da compra, é possível que o cliente peça o ovo de acordo com os gostos dele, tanto em relação aos ingredientes e guloseimas utilizados como na decoração”, explica.

Allana observa ainda que público consumidor dos ovos de chocolate artesanais tem se expandido, e o produto tem conquistado até mesmo a preferência de crianças.

“Antes, os ovos eram comprados quase que exclusivamente por adultos, principalmente para presentear alguém. Hoje, eu já vejo crianças trocando os ovos de mercado, mesmo com o atrativo dos brinquedos, por ovos de colher”, diz.

Para atender a um maior espectro de clientes, Allana aposta também em estratégias de preço. Como o valor dos insumos variam e crescem a cada dia, o custo final dos produtos acaba sendo afetado. A fim de tornar os chocolates acessíveis, a confeiteira definiu duas linhas de venda.

“A linha clássica tem tanta qualidade quanto a linha premium. A diferença está no uso dos ingredientes. Tudo o que leva creme de avelã, por exemplo, tem um valor maior, por causa do custo do creme. Quem procura algo mais em conta pode optar por produtos que levam o brigadeiro belga”, explica Allana.


Impacto econômico

Em relação à economia, a festividade desse ano traz consigo uma dualidade. Se por um lado a indústria de chocolates calcula que mais de 14 mil postos de trabalho temporário estão sendo gerados para atender à demanda do período, por outro, estudos mostram que o consumidor deverá pesquisar muito antes de fazer suas compras, já que a diferença de preços dos produtos pode chegar a uma variação de até 50%.

Entre os diversos motivos que fazem com que a Páscoa movimente tanto o setor econômico está o fato dela ser a primeira grande data comemorativa do ano.

Por isso, as preparações das empresas são feitas com antecedência para atender o varejo brasileiro da melhor forma possível.

Em entrevista ao portal R7, o presidente da Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário), Marcos de Abreu, revelou que, para auxiliar a indústria na produção dos ovos de chocolate, as contratações de colaboradores foram iniciadas ainda em dezembro, e que neste mês de abril a maior parte das vagas está sendo disponibilizada para os segmentos varejistas e de serviços.

O representante também ressaltou que as vagas temporárias abrem caminho para a efetivação dos profissionais.

“Desse número de 14 mil contratados para a Páscoa, 3.000 serão efetivados, compondo a indústria, o comércio e os serviços", explica.

Abreu destacou ainda que o resultado positivo está sendo impulsionado, sobretudo, pela indústria, responsável por 55% das contratações temporárias no mês. Na sequência, aparecem os serviços (35%) e o comércio (10%).

“A indústria já está concluindo as suas contratações temporárias e temos, até o dia 17 de abril, a abertura de vagas para dar suporte ao comércio e em serviços periféricos, como o marketing”, avalia.

Já em relação ao consumo, o mercado e-commerce tem ganhado destaque na comercialização de produtos relacionados à Páscoa: 71% dos brasileiros preferem comprar online, de acordo com a ConQuist Consultoria.

Entretanto, os amantes de chocolates devem ficar atentos à variação dos preços, que em alguns locais pode chegar a até 50%.

O Procon RJ realizou uma pesquisa de preço em alguns dos sites mais acessados para constatar a diferença nos preços dos doces.

Os resultados foram significativos. O consumidor que pesquisar pela internet antes de comprar a caixa de bombom Nestlé, por exemplo, vai poder comprar duas pelo preço de uma.

O mesmo item é vendido por R$8,49 em um site e por R$16,99 em outro. Em relação ao ano anterior, a caixa de bombom Arcor subiu 77,87%, enquanto o ovo de páscoa Batom, 40%.

Os servidores também fizeram uma pesquisa de preços em sites de lojas especializadas em chocolates para comparar os valores de 2021 e 2022.

O maior percentual de aumento encontrado nestes estabelecimentos foi de 16,69% no preço do ovo Língua de Gato da Kopenhagen.

Variação de 13,35% foi identificada no preço do Ovo Delírio da Dinda da Cacau Brasil, 12,54% no do Ovo Monte Belo e 11,83% no do Ovo Gold Bunny, da Lindt.

"O levantamento de preços mostra que se o consumidor pesquisar, ele consegue economizar muito na compra de ovos de páscoa e de caixas de bombom. Um mesmo produto pode ser encontrado com variados preços", afirmou o presidente do Procon-RJ, Cássio Coelho.


Oportunidade

Um levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que o número de pequenos negócios que fabricam produtos derivados de chocolate aumentou durante a pandemia de covid-19.

Os dados indicam que o número de empresas abertas no setor foi maior do que o fechamento de firmas por três anos seguidos. Somente em 2021, foram registradas 2.397 aberturas e 883 encerramentos.

A maioria dos negócios (2.319) foram abertos por microempreendedores individuais (MEIs). Os demais envolvem microempresas (72) e empresas de pequeno porte (6).

De acordo com o Sebrae, o setor de chocolates atrai microempreendedores por ser uma área que não exige formação profissional prévia.

Não são necessárias máquinas sofisticadas e a matéria-prima é acessível. Além disso, é um setor caracterizado pela facilidade em empreender, seja por necessidade ou por oportunidade.

A analista de competitividade do Sebrae Mayra Viana avalia que o crescimento do setor está relacionado à falta de barreiras para entrada no mercado.

"Temos um contingente de empreendedores que normalmente elaboram ovos e bombons a partir da barra de chocolate comprada pronta, em sua própria casa, sem grande necessidade de máquinas e equipamentos. Estão incluídos também os doceiros ocasionais, que buscam uma renda extra em determinadas épocas do ano, como a Páscoa”, disse a analista à Agência Brasil.

O Sebrae também oferece dicas para o microempreendedor alavancar suas vendas na Páscoa. A entidade sugere o investimento em kits e cestas, antecipação do período de encomendas pelas redes sociais, apostas em embalagens que facilitem o transporte e também o planejamento da produção e logística.

Quem deseja investir no setor no próximo ano pode conferir outras dicas no site do Sebrae (https://sebrae.com.br), onde é possível encontrar conteúdos gratuitos.full-width

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