Outros Orixás - Parte II

Logun Edé - Ewá - Obá

Continuando a abordagem dos orixás que não são cultuados na umbanda, porém, com o axé que lhes cabe, têm fundamental importância na natureza uma vez que em cada cantinho deste planeta, sob a ótica e sob os fundamentos das religiões africanas, há representatividade das forças divinas as quais nos transmitem ensinamentos, bem como influenciam no comportamento humano e orientam a missão cármica, conforme os orixás presentes na coroa espiritual do indivíduo.

Logun Edé - há um equívoco na interpretação desta divindade quando se diz tratar-se de um orixá que muda de sexo. Por esta razão, ele foi associado à bissexualidade. Logun Edé carrega a influência de Oxum e de Oxossi, mas é autônomo. 



Um orixá guerreiro e caçador, cujo o ambiente vibracional são as matas e os rios. Tem, como característica principal, dentro do contexto da sua definição, a alternância de “comportamento”. Ora doce, calmo, amável e sociável como a Oxum.

Ora introspectivo, sério, solitário e exclusivamente focado nas tarefas as quais são de sua responsabilidade, se desinteressando por qualquer outra forma de interação, como Oxossi.

Logo, não se trata de um orixá que durante seis meses do ano é feminino e nos outros seis meses masculino. Logun Edé, é um orixá masculino, que possui o seu próprio axé, quanto divindade única, a ser invocados nos ritos.

Dentre as várias versões lendárias. Logun Edé seria filho de Oxum e de Oxossi que durante seis meses ficava sob os cuidados da mãe, logo vivia nos rios. Mais especificamente nas águas profundas. E nos outros seis meses com o pai, nas matas.

Por esta razão, é um orixá que tem, na sua identidade divina, a influência de Oxum e de Oxossi, consequentemente atua nestes dois ambientes da natureza, em períodos distintos.

Ewá - orixá feminino que, segundo a lenda, fugiu do amor de Xangô. Não se interessou pelas relações afetivas e permaneceu virgem.

Normalmente, quando ocorre dela ser a mãe de cabeça de uma mulher e esta inicia a vida sexual, Ewá deixa de atuar com o seu axé na sua coroa espiritual por não haver compatibilidade entre o prazer carnal e a sua característica, cuja energia está associada a tudo que permanece vinculado à sua essência natural, tendo a pureza preservada de qualquer forma e estágio da exploração humana.

Neste contexto, também podermos considerar a relação de Ewá com as matas, os rios e os lagos virgens.


Não é comum, nos tempos modernos, mas ainda existem mulheres que nascem e cumprem a sua missão na terra mantendo-se virgens. A elas, é atribuída a influência de Ewá.

Orumilá (o senhor do destino) imputou à Ewá o poder da vidência e, por esta razão, seus filhos de cabeça costumam ser bem sensitivos.

Obá - orixá feminino. Uma das três esposas de Xangô (Oxum, Iansã, Obá).

  

Uma divindade conhecida pela doçura, ingenuidade, complacência, resignação e, ao mesmo tempo, pela força e determinação de uma guerreira capaz de vencer os maiores obstáculos.

Conforme a lenda, Obá se sentia a mais desprestigiada das esposas e pediu ajuda à sua rival Oxum para conseguir despertar o interesse de Xangô por ela, mas acabou caindo numa armadilha da rival que a orientou a cozinhar para Xangô e colocar a sua orelha no alimento.

Quando Xangô soube da armadilha de Oxum e da atitude de Obá de cortar a própria orelha para que ele comesse, ficou irado. Mesmo sabendo que Obá foi enganada por Oxum, expulsou as duas do reino. Reza a lenda que elas se transformaram em rio. Obá tornou-se o rio mais revolto.

As lendas retratam características da vida humana e expõem a essência espiritual do homem.

Por Graça Leal

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