Empresa realizou coletiva de imprensa na sexta-feira (6), em Três Rios, apresentou dados sobre a situação financeira e afirmou que espera ter quase 100% da frota restabelecida até a próxima semana
Redação
A Transa Transporte Coletivo espera normalizar completamente a circulação dos ônibus em Três Rios até a próxima semana. A previsão foi anunciada pelo gerente de operações da empresa, Edésio José Lima, durante uma coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (6), na qual foram apresentados esclarecimentos sobre os problemas registrados no transporte público municipal nos últimos 30 dias.
Segundo Edésio, aproximadamente 90% da operação já havia sido restabelecida. A expectativa é que, nos próximos dias, todas as linhas voltem a cumprir os horários regularmente. O gerente afirmou que as dificuldades foram provocadas principalmente por problemas financeiros que comprometeram a manutenção dos veículos.
De acordo com a empresa, a situação se agravou em setembro, após o bloqueio de contas bancárias em razão de débitos tributários. Com a restrição financeira, a Transa passou a enfrentar dificuldades para realizar os reparos necessários na frota.
Atualmente, segundo Edésio, cerca de 55 ônibus circulam pelo município, além de sete veículos de reserva. Ele explicou que, quando vários coletivos precisam de manutenção ao mesmo tempo, a quantidade de ônibus disponíveis para substituir os veículos quebrados fica reduzida, o que afeta o cumprimento dos horários.
Dificuldades financeiras
Durante a coletiva, o gerente apresentou um histórico dos problemas financeiros enfrentados pela empresa. Segundo ele, as dificuldades começaram a se acumular em 2009, quando houve congelamento da tarifa e um acordo com a Prefeitura para o pagamento de subsídios como forma de compensar parte dos custos da operação.
Edésio afirmou que os valores previstos não foram repassados e que a questão foi levada à Justiça, mas permanece sem uma solução definitiva. Ele também apontou os impactos da pandemia de Covid-19, quando a empresa precisou manter a frota em circulação mesmo com uma redução significativa no número de passageiros pagantes.
Outro fator destacado foi o aumento das gratuidades no transporte público. De acordo com o gerente, aproximadamente 60% dos passageiros transportados atualmente não pagam passagem. Na avaliação dele, a redução do número de usuários pagantes, somada ao crescimento das gratuidades, compromete o equilíbrio financeiro do serviço.
O representante da empresa ressaltou que não questiona os direitos garantidos por lei a idosos, pessoas com deficiência e estudantes, mas defendeu uma discussão sobre o financiamento dessas gratuidades.
Dívidas e cobrança por apoio do poder público
Edésio afirmou que a Transa possui débitos nas esferas federal, estadual e municipal. Entre os números apresentados durante a coletiva, a dívida federal foi estimada em aproximadamente R$ 25 milhões.
O gerente também cobrou uma solução para as questões relacionadas aos subsídios e à regularização das certidões da empresa. Segundo ele, a falta de apoio financeiro do poder público dificulta a manutenção do serviço.
Outro ponto levantado foi a ausência de um Plano de Mobilidade Urbana no município. Na avaliação do representante da Transa, a falta do documento interfere no acesso a recursos e repasses do Governo do Estado.
A empresa informou ainda que mantém aproximadamente 300 funcionários diretos e atua em Três Rios há 49 anos. Em 2027, completará cinco décadas de operação na cidade.
Apesar das dificuldades relatadas, Edésio afirmou que a empresa continuará trabalhando para manter o transporte coletivo e reiterou a previsão de normalização integral dos horários na próxima semana.
Imagem: Lafayete Barbosa Neto

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