No último domingo, 18 de outubro, a Igreja recordou o evangelista que era médico, São Lucas, e agradeceu a quem dedica a vida a cuidar de quem sofre. Quem já esperou numa sala de Hospital sabe como as horas demoram a passar. Uma porta se abre, um nome é chamado, e naquele momento a vida de uma família depende de alguém que estudou muitos anos, dormiu pouco e, mesmo cansado, ainda olha de frente para o paciente.E por isso, faço minha a reflexão de Dom Anuar Battisti, Arcebispo Emérito de Maringá (PR), o qual reflete minha gratidão e reconhecimento.
A coincidência das datas tem um motivo. Desde os primeiros séculos, a tradição cristã reconhece em Lucas o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos, e também um homem da medicina. Na carta aos Colossenses – Cl 4,14 – Paulo envia saudações a “Lucas, o médico amado”. São poucas palavras, mas dizem muito. O apóstolo não apresenta Lucas pelo cargo ou pela inteligência. Chama-o de amado, e junta a isso a profissão. Já na Antiguidade se entendia que cuidar do corpo do outro é um modo concreto de amá-lo.
O Evangelho de quem aprendeu a olhar para a dor: basta ler o Evangelho de Lucas com atenção para notar o olhar de quem conviveu com a fragilidade humana. É dele a parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37): um homem foi assaltado e deixado meio morto na estrada. Dois passaram adiante. O samaritano parou, se aproximou, tratou as feridas com óleo e vinho, levou o ferido a uma hospedaria e pagou as despesas. Nenhum dos gestos é abstrato. Há curativo, transporte, abrigo e conta paga.
Essa cena contém uma lição para qualquer pessoa que lida com a saúde. Cuidar começa pelo ato de parar. Parar diante de quem sofre, deixar-se interpelar e assumir um pedaço da dor do outro. O próprio Jesus, em Marcos – Mc 2,17 – diz que os sãos não precisam de médico, mas os doentes. Ele se apresenta como alguém que veio para perto de quem precisa, e a Igreja entende que cada profissional que se inclina sobre um leito participa, de algum modo, desse movimento.
Também a Escritura antiga faz um elogio à medicina. O livro do Eclesiástico – Eclo 38,1-2 – pede: “Honra o médico por causa da necessidade, pois também a ele o Senhor criou. Do Altíssimo vem a cura.” A fé não vê concorrência entre ciência e Deus. A inteligência que descobre um diagnóstico e a mão que realiza um procedimento são dons recebidos e colocados a serviço da vida.Uma homenagem aos médicos trirrienses e àqueles que vem trabalhar em nosso município.Quero registrar aqui o meu agradecimento a cada um deles. E também às Irmãs de Santa Catarina pela administração atual do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição que existe por uma razão que precede qualquer planilha: a misericórdia.
Nasceu para acolher os doentes, especialmente os mais pobres, e é nessa missão que os médicos se tornam parceiros indispensáveis. Eles estão nas emergências de madrugada, nas enfermarias, nos centros cirúrgicos, nos consultórios e nas UTIs. Dão notícias difíceis às famílias e comemoram, sem alarde, quando um paciente volta para casa. Poucos veem o esforço que há por trás de uma alta hospitalar, e muitas vezes quem o faz nem espera ser visto.
Também sabemos que a medicina de hoje exige muito de quem a pratica. Há plantões longos, pressão por resultados, recursos que nunca bastam e a convivência diária com a morte. Muitos e muitos sentem o peso disso em silêncio. Por isso, além de agradecer, a Igreja deseja rezar por eles, para que encontrem descanso, apoio e sentido no que fazem. O médico também precisa ser cuidado, como também os enfermeiros, técnicos, capelães, voluntários e administradores trabalham juntos.
Ainda nesses dias convido todos os que já foram atendidos por um bom médico a fazer algo simples: lembrar o nome dele e agradecer. Pode ser por uma mensagem, um telefonema ou uma oração. E convido os próprios médicos a olhar com carinho para a história que escolheram. Há dias em que o cansaço fala mais alto, mas a vocação continua ali, como uma luz pequena e firme, lembrando por que tudo começou.Que São Lucas, o médico amado, interceda por todos os que cuidam da saúde, e que o Senhor da vida os sustente em cada plantão, em cada decisãodifícil e em cada gesto de atenção!
Medoro, irmão menor-padre pecador
A coincidência das datas tem um motivo. Desde os primeiros séculos, a tradição cristã reconhece em Lucas o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos, e também um homem da medicina. Na carta aos Colossenses – Cl 4,14 – Paulo envia saudações a “Lucas, o médico amado”. São poucas palavras, mas dizem muito. O apóstolo não apresenta Lucas pelo cargo ou pela inteligência. Chama-o de amado, e junta a isso a profissão. Já na Antiguidade se entendia que cuidar do corpo do outro é um modo concreto de amá-lo.
O Evangelho de quem aprendeu a olhar para a dor: basta ler o Evangelho de Lucas com atenção para notar o olhar de quem conviveu com a fragilidade humana. É dele a parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37): um homem foi assaltado e deixado meio morto na estrada. Dois passaram adiante. O samaritano parou, se aproximou, tratou as feridas com óleo e vinho, levou o ferido a uma hospedaria e pagou as despesas. Nenhum dos gestos é abstrato. Há curativo, transporte, abrigo e conta paga.
Essa cena contém uma lição para qualquer pessoa que lida com a saúde. Cuidar começa pelo ato de parar. Parar diante de quem sofre, deixar-se interpelar e assumir um pedaço da dor do outro. O próprio Jesus, em Marcos – Mc 2,17 – diz que os sãos não precisam de médico, mas os doentes. Ele se apresenta como alguém que veio para perto de quem precisa, e a Igreja entende que cada profissional que se inclina sobre um leito participa, de algum modo, desse movimento.
Também a Escritura antiga faz um elogio à medicina. O livro do Eclesiástico – Eclo 38,1-2 – pede: “Honra o médico por causa da necessidade, pois também a ele o Senhor criou. Do Altíssimo vem a cura.” A fé não vê concorrência entre ciência e Deus. A inteligência que descobre um diagnóstico e a mão que realiza um procedimento são dons recebidos e colocados a serviço da vida.Uma homenagem aos médicos trirrienses e àqueles que vem trabalhar em nosso município.Quero registrar aqui o meu agradecimento a cada um deles. E também às Irmãs de Santa Catarina pela administração atual do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição que existe por uma razão que precede qualquer planilha: a misericórdia.
Nasceu para acolher os doentes, especialmente os mais pobres, e é nessa missão que os médicos se tornam parceiros indispensáveis. Eles estão nas emergências de madrugada, nas enfermarias, nos centros cirúrgicos, nos consultórios e nas UTIs. Dão notícias difíceis às famílias e comemoram, sem alarde, quando um paciente volta para casa. Poucos veem o esforço que há por trás de uma alta hospitalar, e muitas vezes quem o faz nem espera ser visto.
Também sabemos que a medicina de hoje exige muito de quem a pratica. Há plantões longos, pressão por resultados, recursos que nunca bastam e a convivência diária com a morte. Muitos e muitos sentem o peso disso em silêncio. Por isso, além de agradecer, a Igreja deseja rezar por eles, para que encontrem descanso, apoio e sentido no que fazem. O médico também precisa ser cuidado, como também os enfermeiros, técnicos, capelães, voluntários e administradores trabalham juntos.
Ainda nesses dias convido todos os que já foram atendidos por um bom médico a fazer algo simples: lembrar o nome dele e agradecer. Pode ser por uma mensagem, um telefonema ou uma oração. E convido os próprios médicos a olhar com carinho para a história que escolheram. Há dias em que o cansaço fala mais alto, mas a vocação continua ali, como uma luz pequena e firme, lembrando por que tudo começou.Que São Lucas, o médico amado, interceda por todos os que cuidam da saúde, e que o Senhor da vida os sustente em cada plantão, em cada decisãodifícil e em cada gesto de atenção!
Medoro, irmão menor-padre pecador
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