Febre maculosa: uma picada de carrapato e pouco tempo para agir

Infectologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição alerta para os riscos da doença, transmitida pelo carrapato-estrela, e reforça que o início do tratamento não deve depender da confirmação de exames


A febre maculosa é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Rickettsia e pode evoluir rapidamente para quadros graves quando não diagnosticada e tratada a tempo. Transmitida pela picada de carrapatos infectados, a doença exige atenção redobrada de quem frequenta áreas rurais,matas e locais com presença de animais, como as capivaras, que podem

abrigar o carrapato-estrela. O reconhecimento dos primeiros sintomas e abusca imediata por atendimento médico são fundamentais para reduzir o risco de complicações, que podem levar à morte.

De acordo com o Dr. Antonino Neto, infectologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, o principal risco está no atraso para identificar a doença e iniciar o tratamento com antibióticos. “A febre maculosa pode evoluir rapidamente, e a demora no início do tratamento aumenta muito o risco de complicações. Em casos graves, a mortalidade pode chegar a 50% a 60%,especialmente quando a assistência médica não ocorre de maneira oportuna.

Por isso, diante de uma suspeita clínica, o tratamento deve começar semesperar a confirmação laboratorial”, alerta o especialista.

A transmissão ocorre quando um carrapato infectado permanece preso à pelee realiza a picada. Na natureza, esses parasitas podem estar presentes em ambientes frequentados por animais hospedeiros, como as capivaras. O carrapato pode permanecer na vegetação à espera de um hospedeiro e entrarem contato com pessoas que circulam pelo local. A presença desses animais,portanto, é um sinal de alerta para a necessidade de cuidados, embora não signifique que todos os carrapatos encontrados na região estejam infectados.

O período de maior atenção pode variar conforme as condições ambientais e a região. No Sudeste, o outono e o inverno, especialmente entre abril e setembro, são tradicionalmente associados à maior presença de determinadas fases do carrapato-estrela. Ainda assim, o risco não se restringe a esses meses, e a prevenção deve ser mantida sempre que houver exposição a ambientes potencialmente infestados.

“Entre os sintomas iniciais da doença estão febre, dor de cabeça, dores musculares e astenia, caracterizada por fraqueza ou falta de energia”, alerta o infectologista. Como essas manifestações podem ser confundidas com as de outras doenças infecciosas, é fundamental informar ao profissional de saúde se houve picada de carrapato ou passagem recente por uma área de risco.

Outro ponto de atenção é que os exames laboratoriais podem apresentar resultados negativos nas fases iniciais da infecção. Por esse motivo, um resultado negativo não deve ser interpretado isoladamente como exclusão da doença. A avaliação médica considera o histórico de exposição, os sintomas eas condições epidemiológicas da região. Quando há suspeita clínica, o antibiótico deve ser iniciado prontamente, sem a necessidade de confirmação dos exames.


Quando procurar atendimento médico

A orientação para quem encontra um carrapato preso ao corpo é observar o surgimento de sintomas nos dias seguintes e procurar atendimento médico imediatamente caso apresente febre, dor de cabeça, dores musculares ou fraqueza. A retirada do parasita, por si só, não significa que a pessoa desenvolverá a doença, já que nem todo carrapato está infectado. Por isso,pessoas assintomáticas que tiveram contato com o parasita não devem iniciar antibióticos por conta própria: a necessidade de qualquer conduta deve ser avaliada por um profissional de saúde. A prevenção começa antes mesmo de entrar em áreas de risco. O uso de roupas compridas, calçados fechados e peças de cores claras facilita a identificação de carrapatos sobre o tecido.

Durante e após a permanência nesses locais, é importante examinar o corpo,as roupas e os calçados, com atenção especial às regiões de dobras da pele, everificar a presença de parasitas.



Caso um carrapato esteja aderido à pele, a remoção deve ser feita com uma pinça de ponta fina. O ideal é segurá-lo o mais próximo possível da pele e puxá-lo para cima, de maneira lenta, firme e contínua, sem torcer, girar ou esmagar o corpo do animal. Depois, o local deve ser lavado com água e sabão ou higienizado com um antisséptico, e as mãos precisam ser lavadas. Não se deve tentar fazer o carrapato se soltar com álcool, gasolina, querosene,esmalte, vaselina ou outras substâncias, nem utilizar fogo ou arrancá-lo com os dedos. Essas práticas podem aumentar o risco de contato inadequado com o parasita e dificultar a retirada correta.

Para o Dr. Antonino Neto, a informação e a rapidez na busca por assistência médica são essenciais para enfrentar a doença. “Quem esteve em áreas com presença de carrapatos deve ficar atento ao próprio estado de saúde e comunicar essa exposição durante o atendimento. Na suspeita de febre maculosa, reconhecer os sinais precocemente e iniciar o tratamento indicado

pelo médico pode fazer a diferença entre a recuperação e uma evolução grave”, alerta o infectologista do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição. Assessoria HCNSC

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