Neurocirurgião do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição explica os principais fatores de risco, os tratamentos disponíveis e a importância da prevenção para evitar novos episódios
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma emergência médica em que cada minuto pode fazer diferença entre a recuperação e a ocorrência de sequelas permanentes. Reconhecer os sinais, buscar atendimento imediato e controlar os fatores de risco são medidas fundamentais para reduzir os impactos da doença, que pode atingir pessoas de diferentes idades. No Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira (29/10), a importância da prevenção e do diagnóstico rápido ganha destaque.
“Costumamos dizer que ‘time isbrain’ (‘tempo é cérebro’), pois, quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores serão as chances de recuperação do paciente”, destaca o neurocirurgião Dr. Gustavo Pina, do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição.
O AVC acontece quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido por um coágulo ou quando ocorre o rompimento de um vaso, provocando sangramento. Os sintomas costumam surgir de forma súbita e variam conforme a área cerebral afetada. Entre os principais sinais estão dificuldade para falar ou compreender o que é dito, perda de força ou paralisia em um dos lados do corpo e assimetria facial. Diante de qualquer suspeita, é fundamental procurar atendimento hospitalar imediatamente, sem esperar que os sintomas desapareçam.
Nos casos de AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria cerebral, existem tratamentos capazes de restabelecer a circulação sanguínea. Entre eles estão a trombólise intravenosa, que utiliza medicamentos para dissolver o coágulo e, quando indicada, deve ser iniciada geralmente em até quatro horas e meia após o início dos sintomas, e a trombectomia mecânica, procedimento que retira o coágulo por meio de cateteres. Em pacientes selecionados, essa última técnica pode ser realizada até 24 horas após o início dos sintomas, conforme avaliação clínica e exames de imagem. A escolha depende das condições de cada paciente, e a rapidez no atendimento é decisiva.
A prevenção, por sua vez, começa pelo controle dos fatores de risco. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, aterosclerose, arritmias cardíacas, sedentarismo, tabagismo, idade avançada e histórico prévio de AVC estão entre os principais. Manter a pressão arterial e a glicemia controladas, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e abandonar o cigarro são medidas que ajudam a reduzir o risco. “Então, é de extrema importância o controle adequado da pressão arterial e da glicemia, fazer atividade física regular, alimentação regrada visando diminuir os índices de colesterol e açúcar no sangue e cessar o tabagismo”, reforça Dr. Pina.
Embora o risco aumente com a idade, pessoas jovens também podem sofrer um AVC. Nesses casos, especialmente quando não existem os fatores de risco mais comuns, é importante investigar possíveis causas específicas, como dissecção de artérias cervicais, alterações cardíacas, trombofilias, vasculites, doenças autoimunes e condições genéticas.
As consequências da doença variam de acordo com a extensão e a localização da lesão cerebral. Além de fraqueza ou paralisia, o paciente pode apresentar dificuldades de fala, linguagem e deglutição, alterações de memória e concentração e problemas emocionais, como depressão e ansiedade. A reabilitação deve ser individualizada e pode envolver fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, acompanhamento neurológico e apoio psicológico, entre outras especialidades. O objetivo é recuperar habilidades, ampliar a autonomia e melhorar a qualidade de vida.
“Paciente com histórico de AVC está sob risco de ter novos acidentes, sendo esse um dos principais fatores de risco”, alerta o neurocirurgião do HCNSC. Por isso, quem já sofreu um episódio precisa manter o acompanhamento médico e seguir as orientações de prevenção, mesmo após a recuperação dos sintomas iniciais. Mais do que conhecer os fatores de risco, é essencial saber reconhecer os sinais e agir sem demora. No AVC, identificar uma alteração súbita e buscar ajuda imediatamente pode ampliar as possibilidades de tratamento, reduzir sequelas e fazer a diferença na vida do paciente e de sua família. Assessoria HCNSC

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