Eleições 2026: redes sociais ganham espaço na formação da opinião dos eleitores

Pesquisa do DataSenado aponta que 72% dos jovens de 16 a 29 anos utilizam meios digitais como principal fonte de notícias; especialistas alertam para os riscos da desinformação


As redes sociais se consolidaram como uma das principais portas de entrada para a informação política durante o período eleitoral. Debates, entrevistas e discursos de candidatos rapidamente ganham novos recortes e interpretações nas plataformas digitais, alcançando milhões de pessoas em poucos minutos.

Uma pesquisa do DataSenado mostra a diferença geracional nesse comportamento: 72% dos jovens entre 16 e 29 anos utilizam os meios digitais como principal fonte de notícias, enquanto o índice é de 21% entre pessoas com mais de 60 anos.

A mudança na forma de consumir informação também interfere na maneira como os eleitores entram em contato com temas políticos. Muitas vezes, o cidadão não procura diretamente uma notícia ou debate, mas recebe conteúdos por meio do algoritmo das plataformas, de amigos ou de grupos de mensagens.
 

Informação e desinformação


A jornalista Evelyn Fagundes, da Agência Lupa, destaca que as redes sociais facilitam o acesso à informação, mas também ampliam a exposição a conteúdos falsos ou fora de contexto.

“No período eleitoral, os jovens recorrem às redes e mídias digitais para buscar informações. O meio digital virou um buscador porque é fácil e prático pegar o celular e verificar informações. No entanto, eles podem ser impactados por conteúdos tanto verídicos quanto desinformativos.”

A estudante de Letras Marcele Ribeiro, de Campos dos Goytacazes, conta que nem sempre procura conteúdos sobre política, mas acaba tendo contato com eles pelas redes sociais. Segundo ela, os debates completos costumam ser substituídos pelos trechos que ganham repercussão na internet.

Moradora de Campos, Layla dos Santos, de 24 anos, também afirma que as redes são sua principal fonte de notícias. Ela acompanha principalmente os trechos de debates que circulam pelas plataformas digitais.

Para Evelyn, o eleitor precisa ter cuidado especialmente com conteúdos que confirmam opiniões que já possui. A recomendação é buscar o contexto e consultar veículos jornalísticos e serviços de checagem antes de compartilhar ou tomar decisões com base em determinada informação.
 

IA entra no debate eleitoral


Outro desafio para as eleições de 2026 é o uso de Inteligência Artificial (IA) na produção e alteração de conteúdos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu novas regras para a utilização da tecnologia durante a propaganda eleitoral.

Entre as medidas está a exigência de que conteúdos criados ou modificados por IA sejam identificados de forma explícita e acessível quando utilizados na propaganda.

As regras também estabelecem restrições para a publicação, republicação e impulsionamento de novos conteúdos produzidos com IA no período próximo ao dia da votação.

Com a presença cada vez maior da política nas plataformas digitais, o desafio para o eleitor passa não apenas pelo acesso à informação, mas também pela capacidade de identificar a origem, verificar o contexto e diferenciar informação jornalística de conteúdo manipulado ou desinformativo. AscomAlerj

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