Depois de transformar histórias de casamentos em
filmes premiados internacionalmente, a escritora trirriense Laís Valentim
inicia um novo capítulo da carreira com o lançamento de Autofagia, obra de
ficção inspirada em sentimentos, vivências e reflexões que nasceram de
experiências pessoais marcadas por desafios, perdas, saúde mental e
reconstrução.
Ao lado do marido, Artur, Laís construiu uma
carreira reconhecida na produção de filmes de casamento. O casal reinventou a
antiga produtora da família, que mais tarde se tornou a Birita Filmes,
conquistando prêmios internacionais e chegando ao Top 10 mundial e ao Top 5 do
Brasil entre filmmakers especializados em casamentos.
O auge profissional, porém, coincidiu com um dos
períodos mais difíceis de suas vidas. A pandemia provocou o cancelamento de
eventos, comprometeu anos de planejamento financeiro e aumentou a pressão sobre
o trabalho. Com o tempo, Artur desenvolveu um quadro grave de depressão,
ansiedade, burnout e transtorno dissociativo de identidade (TDI), obrigando a
família a interromper novos contratos e priorizar o tratamento de saúde.
Amigos, familiares e profissionais da área se mobilizaram para ajudá-los nesse
período.
Enquanto acompanhava o tratamento do marido, Laís
também iniciou terapia. Foi durante esse processo que recebeu o incentivo para
escrever sobre seus sentimentos. O que começou como anotações no bloco de notas
do celular acabou dando origem a Autofagia, escrito em apenas sete dias e
posteriormente publicado de forma independente.
Embora tenha sido inspirado em emoções, vivências e
reflexões da autora, Autofagia não é uma autobiografia. Trata-se de uma obra de
ficção, em que a história, os personagens e os acontecimentos não correspondem
literalmente à trajetória de Laís, mas dialogam com experiências que marcaram
sua vida e serviram como ponto de partida para a criação.
Segundo a escritora, o retorno dos leitores
confirmou que o livro ultrapassou sua própria experiência. Ela passou a receber
relatos de pessoas que encontraram acolhimento nas páginas da obra e
conseguiram compreender melhor suas próprias dores.
Agora, Autofagia ganha edição impressa e será lançado
na CL Prime, local que possui um significado especial para Laís. Foi ali,
quando o espaço ainda funcionava como cinema, que ela conheceu o marido e viveu
momentos importantes da trajetória do casal.
Para a autora, o livro representa mais do que um lançamento
literário.
"Espero que cada pessoa que leia Autofagia
encontre nas suas páginas não apenas uma história, mas um convite para olhar
para dentro de si, reconhecer as próprias feridas e acreditar que sempre existe
a possibilidade de reconstrução."
O lançamento oficial será realizado na próxima
segunda-feira (10), às 19h, na CL Prime, em Três Rios. O evento será aberto ao
público e contará com sessão de autógrafos, marcando a chegada da edição
impressa da obra e o início de uma nova etapa para o livro, que transforma
sentimentos e experiências em uma narrativa de ficção voltada à reflexão, ao
acolhimento e à esperança.


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