Julho Amarelo alerta para o diagnóstico precoce das hepatites virais e reforça a importância da prevenção

Campanha nacional chama atenção para doenças que podem permanecer silenciosas por anos e evoluir para complicações graves quando não identificadas e tratadas precocemente


Silenciosas na maior parte dos casos, as hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública. Muitas pessoas convivem com a infecção durante anos sem apresentar sintomas, o que favorece o diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Com o objetivo de conscientizar a população sobre prevenção, testagem e tratamento, o Julho Amarelo reforça a importância do diagnóstico precoce como principal aliado no combate à doença.

Segundo o infectologista Dr. Antonino Adriano Neto, do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição (HCNSC), um dos maiores desafios é justamente o fato de a infecção evoluir de forma silenciosa. "Muita gente tem hepatite e não sabe. A pessoa pode conviver durante anos com o vírus sem sentir absolutamente nada. Quando descobre, o fígado já pode estar bastante comprometido. Por isso, a principal mensagem é: não espere aparecer algum sintoma para fazer o teste", comenta o médico.

As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por diferentes vírus, classificados como A, B, C, D e E. Embora apresentem características distintas, todas exigem atenção. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados e estão relacionadas às condições de higiene e saneamento básico. Já as hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado, enquanto a hepatite B também pode ser transmitida por relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite D ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B.

Quando os sintomas aparecem, costumam ser inespecíficos, como cansaço, perda de apetite, náuseas, febre baixa, dores nas articulações e desconforto abdominal. Em alguns casos, surgem sinais mais característicos, como pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. No entanto, muitos pacientes só descobrem a infecção quando o fígado já apresenta comprometimento significativo. "O problema é que muitas pessoas atribuem o cansaço ao trabalho, à idade ou à rotina e não procuram atendimento. Enquanto isso, a inflamação pode continuar danificando o fígado de forma lenta, podendo evoluir para cirrose ou câncer de fígado", explica o Dr. Antonino.

Formas de prevenção e tratamento


Além do impacto na saúde, a ausência de diagnóstico contribui para a manutenção da transmissão, principalmente nos casos das hepatites B e C. Por isso, conhecer as formas de contágio e adotar medidas preventivas é fundamental. Entre elas estão manter a vacinação em dia, utilizar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha ou escovas de dentes e garantir que materiais utilizados em tatuagens, piercings e outros procedimentos sejam descartáveis ou devidamente esterilizados.

A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, além de proteger contra esse tipo da doença, também previne a hepatite D. Já pessoas que nunca realizaram exames para hepatites virais, especialmente aquelas com fatores de risco, devem procurar uma unidade de saúde para realizar a testagem. Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis no SUS e permitem identificar precocemente a infecção, possibilitando o acompanhamento e o tratamento antes do surgimento de complicações.

Nos últimos anos, os avanços terapêuticos transformaram o cenário das hepatites virais, principalmente da hepatite C. Atualmente, o tratamento é feito com antivirais de ação direta, administrados por via oral durante oito a doze semanas, com poucos efeitos colaterais e taxas de cura superiores a 95%. Já a hepatite B pode ser controlada com medicamentos que reduzem a multiplicação do vírus e diminuem o risco de evolução para cirrose e câncer de fígado, embora nem todos os pacientes necessitem de tratamento imediato. As hepatites A e E, por sua vez, costumam evoluir para cura espontânea com tratamento de suporte, enquanto a hepatite D exige acompanhamento especializado.

"O mais perigoso não é descobrir a doença. O mais perigoso é ter a doença e não saber. Hepatite tem acompanhamento, tem tratamento e, no caso da hepatite C, tem cura. Por isso, faça o teste, procure atendimento e não abandone o acompanhamento", conclui o Dr. Antonino Adriano Neto, infectologista do HCNSC. Assessoria HCNSC

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