“Bastariam dois pães e dois peixes e o milagre do amor
pra acabar com tanta fome e acabar com tanta dor”
Na última sexta-feira, dia 26 de junho, tivemos, na Paróquia São José Operário, o Encontro Fé e Cidadania, com o tema ENCANTANDO A POLÍTICA,ELEIÇÕES 2026 – Por um Parlamento Amigo do Povo, organizado pelo Movimento Fé e Política de Três Rios e pela Paróquia São José Operário.
Com aproximadamente 40 participantes de comunidades da região, tivemoscomo assessor e animador o cientista político Daniel Seidel, que é membro da Comissão de Justiça e Paz da CNBB e da Coordenação Executiva do Movimento Nacional de Fé e Política.
Daniel inicia o seu diálogo conosco analisando a conjuntura política e religiosa, tendo como referência a relação Fé e Política. Nesse contexto, apresenta-se a necessidade de fortalecer a democracia que sofre em diversos aspectos ataques de setores das classes dominantes, retirando direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora e atacando as políticas públicas que vão ao encontro das necessidades das minorias dos setores mais empobrecidos.
Pode-se dizer que percorremos o trajeto do VER, JULGAR e AGIR (metodologia utilizada nas Comunidades Eclesiais de Bases, Campanha da Fraternidade e outros grupos populares) como estrutura deste diálogo sem ter essa divisão apresentada. Alguns olhares dessa realidade foram surgindo para percebermos como se dá esse ataque a democracia. Um desses olhares é a dereligiões e suas estruturas (Templos, canais de TVs, Rádios e internet e outros meios de comunicação) sendo utilizadas como instrumentos políticos por grupos econômicos que querem deter o poder político em prol dos interesses econômicos de seus lideres. O uso de discursos de ódios contra minorias, levando o aumento de preconceitos e violências, tem no discurso religioso, contraditoriamente, a sua força.
Um outro olhar importante é o papel dos parlamentos (Câmara de vereadores, Assembléias Legislativas e Congresso Nacional), que, cada vez mais, ficam reféns de interesses de grupos econômicos e políticos ligados às oligarquias, a setores do mercado e a algumas categorias. Como exemplo, temos no Congresso Nacional, as Bancadas: da bala (policiais),do boi (agronegócios) e ada Bíblia (evangélicos e católicos fundamentalistas). Ou seja, a grande maioria de eleitores que são trabalhadores e empobrecidos votam naqueles que não irão representá-los ou, pior ainda, irão votar contra os seus direitos.
E, por último, um olhar sobre as redes digitais, onde circulam sem nenhum controle, os pensamentos de ódio e preconceitos, criando um impacto profundo na ordem democrática, fazendo crescer absurdamente as forças políticas com agendas vinculadas aos princípios conservadores e ideologias da extrema-direita, com apoio ou omissão das principais Big techs (grandes empresas de tecnologias do mundo). Essa realidade fez crescer entre nós, através das mídias digitais a desinformação com fake news, informações falsas ou manipuladas, principalmente agora, com a inteligência artificial, isso se aprofunda mais ainda, chegando a atingir em cheio o próprio processo eleitoral e criando o caos em algumas políticas públicas, como a de saúde, ao fazer aumentar entre a população a descrença em vacinas, levando um grande risco a população.
É dentro dessa realidade que devemos pensar a fé e a política e a sua relação. Daniel trouxe para nós uma chave de leitura do Evangelho de Marcos 6, 30-44, o Evangelho da partilha dos pães e dos peixes. Primeiro,Jesus olha a realidade do povo (ovelhas sem pastor) e tem compaixão deles. Segundo, Jesus chama a responsabilidade para a prática dos apóstolos (Vocês é que devem dar-lhes de comer), mostra a importância da organização (Façam com que assentem em grupos de 50) e, por último, os apóstolos servem a multidão (Todos comeram e ficaram satisfeitos). Somos chamados a seguir os ensinamentos de Jesus, unindo a fé e a vida.
E concluindo, saímos desse encontro com alguns desafios:
- Combater qualquer prática de fundamentalismo religioso, que estão presentes no nosso meio e nas nossas igrejas.
- Criar espaços de formação política que levem a uma consciência de cidadania ativa na sociedade
- Nessas eleições trabalharmos para que possamos aumentarmos o número de Parlamentares Amigos do Povo, no Congresso Nacional e na Assembléias Legislativas dos estados
Que as nossas práticas nos permitam seguir o que disse o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti; que devemos “reconhecer todo ser humano como irmão ou uma irmã” e “tratar de avançar para uma ordem social e política, cuja alma seja a caridade social.” E na Encíclica nos “convida uma vez mais a revalorizar a política, que é uma sublime vocação”.
Prof. Gilberto Simplício, Assessor do Movimento Fé e Política
Medoro, irmão menor-padre pecador

إرسال تعليق