Vendeu o veículo? Fazer a transferência na hora evita anos de dor de cabeça


Muita gente acredita que, após entregar as chaves do carro ou da moto e receber o pagamento, o negócio está encerrado, mas, na prática, existe uma etapa burocrática que é a única capaz de evitar enormes transtornos no futuro: a transferência de propriedade. Não é raro encontrar pessoas enfrentando problemas sérios porque confiaram que o comprador faria a transferência "depois", só que esse dia muitas vezes nunca chega. Imagine a situação clássica onde o vendedor recebe o dinheiro e entrega o veículo, acreditando na promessa de que tudo será resolvido nos dias seguintes. Os meses passam, os anos também, e o contato com quem comprou se perde totalmente, até que começam a surgir notificações de multas, IPVA atrasado e cobranças judiciais.

Para os órgãos de trânsito, enquanto o registro não muda, o responsável legal ainda é o antigo dono. Isso pode levar o nome do vendedor à Dívida Ativa do Estado, gerar restrições financeiras e sérias dificuldades para obter crédito bancário. Pela legislação brasileira, o comprador tem até 30 dias para realizar a transferência após a assinatura do documento, mas o maior risco jurídico recai sobre o vendedor que não faz a comunicação de venda. Sem esse aviso formal ao Detran, o antigo proprietário passa a responder de forma solidária pelas infrações e débitos gerados, mesmo que não estivesse mais em posse do veículo.

Felizmente, a tecnologia reduziu bastante a burocracia e hoje o processo ficou muito mais ágil. Em muitos casos, a transferência pode ser iniciada digitalmente pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), permitindo que vendedor e comprador façam a autorização quase que no ato da negociação, desde que ambos possuam conta Gov.br nos níveis Prata ou Ouro e o veículo possua documento digital. No Rio de Janeiro, os serviços também podem ser acompanhados diretamente pelo Detran.RJ. Mesmo com essa facilidade, muita gente ainda deixa para resolver a questão "depois" e acaba criando um problema que pode durar anos. Para garantir a sua tranquilidade e proteger o seu CPF, alguns cuidados simples são indispensáveis:

* Venda Digital: Se o veículo tiver documento digital, inicie o processo pelo aplicativo CDT;

* Reconhecimento de Firma: Caso o documento seja o modelo antigo (verde), faça o reconhecimento em cartório por autenticidade imediatamente;

* Comunicação de Venda: Certifique-se de que o Detran foi informado sobre a venda para interromper sua responsabilidade sobre o bem;

* Documentação: Guarde uma cópia autenticada do recibo assinado e datado, além de comprovantes da transação;

* Entrega do Veículo: Jamais entregue as chaves sem que o processo formal de transferência tenha sido iniciado e documentado.

No fim das contas, a pressa ou a confiança excessiva costumam sair caro. Uma transferência que poderia ser resolvida em poucos minutos pode se transformar em anos de dores de cabeça judiciais e cobranças indevidas. Muita gente só percebe a gravidade da situação quando descobre que está com o nome negativado por causa de um veículo que já não lhe pertence há muito tempo. Prevenir ainda é o melhor caminho para evitar que a venda de um patrimônio se torne um pesadelo jurídico.

Comentar

أحدث أقدم