Médico do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição alerta para as condições médicas graves que podem surgir após acidentes de trânsito

O Maio Amarelo é uma campanha criada para conscientizar a população sobre a importância da segurança no trânsito. A iniciativa tem o objetivo de contribuir para a redução dos casos de acidentes com feridos e mortos. Nesse cenário, o uso correto dos equipamentos de segurança é de extrema importância, já que funciona como uma forma de amortecimento e dissipação de energia durante o impacto. Segundo o Dr. Bruno Fagundes, cirurgião geral do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, os dispositivos atuam da seguinte forma:
Cinto de segurança - Indispensável para evitar a projeção do corpo e o impacto contra o para-brisa ou painel, reduzindo drasticamente as fraturas de face, os traumas cervicais de alta gravidade e o esmagamento da pelve contra o volante.
Botas de proteção (motociclistas) - Ajudam a preservar a articulação do tornozelo e os ossos do pé contra o esmagamento direto da moto contra o solo, evitando fraturas expostas complexas de tornozelo e calcâneo, que frequentemente evoluem para a perda excessiva de pele, demandando procedimentos médicos complexos, como transplantes.
Jaquetas com Protetores de ombro e cotovelo (motociclistas) - Absorvem e distribuem a força do impacto na queda e transformam fraturas graves em fraturas simples, passíveis de tratamento conservador ou cirurgias de menor porte.
Após o acidente de trânsito, o trabalho do socorro imediato é essencial para salvar o paciente da morte rápida ou de consequências mais graves. Nesse cenário, a equipe de trauma trabalha com um conceito clássico chamado de “Hora de Ouro”, ou seja, o intervalo em que a intervenção médica imediata tem a maior capacidade de reverter o choque e evitar a morte. O principal foco é a contenção de hemorragias internas graves porque o sangramento oculto em grandes cavidades é a principal causa da morte evitável no trauma.
Mesmo que esse momento salve a vida do paciente, o trauma de alta energia deixa cicatrizes profundas na anatomia e na fisiologia interna. De acordo com o médico, os maiores desafios a longo prazo não são apenas referentes à estrutura do corpo humano, mas a sua funcionalidade como um todo. As complicações internas mais difíceis de manejar são: síndrome do intestino curto e fístulas complexas, aderências e obstruções intestinais recorrentes e hérnias incisionais complexas.
“Em traumas abdominais com esmagamento ou lesões vasculares graves, grandes extensões do intestino podem perder a circulação e sofrer necrose, exigindo a retirada de parte do órgão. A perda dessa superfície de absorção ou o surgimento de canais anormais entre intestino e a pele tornam o manejo nutricional um desafio crônico, demandando nutrição intravenosa prolongada”, explica o cirurgião geral do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição.
Entre outras complicações, o sangramento maciço na região do abdômen em que está localizada a maioria dos órgãos digestivos e os múltiplos procedimentos cirúrgicos necessários para tratar o trauma provocam uma resposta inflamatória intensa. Esse processo resulta em cicatrizes internas nas curvas do intestino que geram episódios repetidos de obstrução intestinal ao longo da vida, levando o indivíduo a novas internações e outras operações. Frequentemente, os pacientes graves que necessitam de laparotomia aberta (procedimento em que o abdômen é mantido aberto temporariamente para aliviar a pressão e reavaliar as lesões) acabam desenvolvendo defeitos na parede abdominal. A reconstrução posterior dessas hérnias é complexa e limita a sua capacidade física.
Diante disso, a condução responsável dos veículos e o uso de equipamento adequado é imprescindível para evitar situações graves para o corpo humano, que podem transformar e limitar a jornada do indivíduo. “Pensando nos pacientes jovens, o trauma interno altera a rotina de forma permanente. A necessidade do uso de bolsas de colostomia de forma temporária ou definitiva, as restrições dietéticas severas, devido à perda de órgãos digestivos, e a dor crônica por aderência impactam diretamente a saúde mental, a capacidade de retornar ao trabalho e a reintegração social, transformando a dinâmica de uma vida inteira”, comenta o cirurgião geral. Assessoria HCNSC
Imagem: Reprodução

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