Samba: resistência e alegria

A história do samba no Rio de Janeiro: raiz, resistência e alegria

 
O Rio de Janeiro respira samba. De Noel Rosa a Cartola, passando por Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Chiquinha Gonzaga, o gênero pulsa na alma da cidade.

Nascido como samba de roda na Bahia, por volta de 1860, no Recôncavo Baiano, essa expressão afro-brasileira entrelaça-se à capoeira e aos cultos aos orixás. Marcado por danças livres em círculo, palmas e cantos coletivos, simboliza resistência cultural e laços comunitários. Reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, o samba de roda constitui a base essencial do samba carioca.

Bahianas levaram a tradição em suas malas para a capital fluminense. Ali, a cultura negra encontrou espaço para a festividade. Com cuíca, pandeiro, tamborim e surdo, surgiu o “samba raiz”. A primeira gravação, Pelo Telefone, data do início do século XX.

No Recôncavo, era refúgio de lazer e alívio para pessoas escravizadas. Divide-se em samba chula (declamação poética sem dança) e samba corrido (com passos que invadem a roda após a parte lírica).

As rodas de samba tecem identidade e reciprocidade, conectando participantes em um ambiente vibrante de energia positiva. Unem gerações por meio da dança e do canto compartilhados, sem barreiras entre plateia e instrumentistas. Promovem acolhimento e solidariedade.

No Rio de Janeiro, o samba raiz evoca liberdade e escape do cotidiano, em pontos históricos como Pedra do Sal e Cacique de Ramos. Locais como Terreiro do Crioulo, Samba do Trabalhador e Feira das Yabás preservam essa essência, com palmas e gingado.

Em Niterói, rodas tradicionais de raiz perduram: o Candongueiro (desde 1989), o Quilombo do Grotão (símbolo de perseverança), a Toca do Gambá, o Terreiro da Vovó, o Batuque Niterói e a Roda da Ponta d’Areia. Nesses espaços, chega-se com o peso das preocupações, o estresse rotineiro ou a tristeza de uma perda amorosa. No entanto, o batuque que emociona, a melodia que toca a alma, aliados aos amigos e ao ritmo contagiante, dissipam essa carga. Mesmo sem dotes para cantar ou dançar, participa-se, alivia-se e sai-se renovado, com leveza e contentamento.

Então, vamos cantar:
 

“Eu sou o samba

A voz do morro, sou eu mesmo, sim, Senhor

Quero mostrar ao mundo que tenho valor

Eu sou o rei dos terreiros


Eu sou o samba

Sou natural daqui do Rio de Janeiro

Sou eu quem leva a alegria

Para milhões de corações brasileiros


Mais um samba

Queremos samba

Quem está pedindo

É a voz do povo do país

Pelo samba, vamos cantando

Essa melodia para um Brasil feliz"

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