Foto: Tata Barreto/ Riotur
Redação
A definição da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para 2027 já movimenta intensamente os bastidores do samba. Marcado para o dia 16 de abril, na Cidade do Samba, o sorteio será realizado por meio das tradicionais “trincas”, formato que agrupa as escolas em conjuntos de três para determinar, de forma equilibrada, a sequência de apresentações na Marquês de Sapucaí.
O modelo busca garantir justiça competitiva, distribuindo agremiações com diferentes desempenhos recentes entre os dias de desfile. As trincas já definidas reúnem escolas em blocos estratégicos, e o sorteio indicará em qual dia — domingo (7/2), segunda ou terça-feira — cada integrante se apresentará, além da ordem dentro de cada noite.
Enquanto o aspecto técnico do sorteio avança, uma questão política tem dominado o debate: a possível ampliação do Grupo Especial para 15 escolas a partir de 2027.
Polêmica sobre as novas vagas
A discussão ganhou força após o posicionamento do novo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, vice de Eduardo Paes, que defendeu a inclusão de três escolas da Série Ouro no Grupo Especial por meio de convite. A proposta, no entanto, gerou forte reação entre dirigentes e segmentos do Carnaval, que defendem um critério meritocrático.Paes, antes de sair do cargo para se lançar pré-candidato ao governo do estado, havia manifestado interesse em promover, o que chamou de três escolas de samba tradicionais do carnaval carioca: Império Serrano (vice-campeã), União da Ilha do Governador (4º lugar) e Estácio de Sá (6º lugar).
Para boa parte dos envolvidos, caso a ampliação seja confirmada, o mais justo seria garantir o acesso às três melhores colocadas da Série Ouro logo abaixo da campeã União de Maricá, respeitando o desempenho obtido na avenida. As três melhores colocadas, da segunda a quarta colocação foram Império Serrano, Unidos de Padre Miguel (3º lugar) e União da Ilha.
A divergência expõe um embate entre critérios políticos e esportivos dentro da estrutura do Carnaval carioca.
Posição da Liesa
O presidente da Liesa, Gabriel David, se posicionou de forma clara sobre o tema. Segundo ele, caso a ampliação para 15 escolas seja aprovada, o critério deve seguir o resultado da Série Ouro de 2026.
A Liesa, inclusive, afirmou ter sido pega de surpresa com a proposta do poder público, indicando que ainda não há alinhamento institucional sobre o formato da mudança. A decisão final depende de negociações mais amplas, incluindo questões logísticas, financeiras e operacionais do desfile.
Expectativa e indefinição
Sem uma definição concreta sobre o número de escolas no Grupo Especial, o cenário segue indefinido. Enquanto isso, o sorteio das trincas avança como etapa fundamental da organização do Carnaval 2027, mantendo viva a tradição e a expectativa das agremiações.
Nos bastidores, o clima é de atenção redobrada: além da sorte no posicionamento dos desfiles, está em jogo o próprio formato da elite do samba carioca — e, com ele, o futuro de diversas escolas que sonham em brilhar na Sapucaí.


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