Profissionais de saúde de todo o estado já receberam o documento on-line e núcleos municipais passam por treinamento com especialistas da SES-RJ
Redação
Orientar gestores, coordenadores de serviços e profissionais de saúde no atendimento às pessoas em situação de violência é um dos objetivos do Manual estadual de atenção integral à saúde das pessoas em situação de violência, lançado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A publicação digital foi distribuída às equipes de saúde dos 92 municípios e reúne diretrizes para identificação, acolhimento, escuta qualificada, notificação e encaminhamento de casos nas unidades públicas.
Organizado pelo Núcleo Estadual de Saúde para a Prevenção da Violência, Promoção da Cultura da Paz e Atenção à Saúde às Pessoas em Situação de Violência (Nespav), o manual contou com a colaboração de diversos setores da SES-RJ e está disponível on-line. O material reforça o papel da Atenção Primária e da Rede de Atenção à Saúde no enfrentamento das diferentes formas de violência e na promoção de ações de prevenção, vigilância e cuidado.
Segundo a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, a publicação prioriza o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade em todas as fases da vida, como mulheres, crianças, população LGBTQIAPN+, negros e quilombolas. Dados do Painel de Violência da SES-RJ indicam que, em 2025, foram registrados 31.494 casos de violência física contra mulheres em unidades de saúde do estado. Em 2026, até 3 de março, já foram contabilizados 4.044 casos.
Além de violência física, sexual e psicológica, o manual também aborda a violência no ambiente digital, que inclui superexposição, humilhações e cyberbullying — fenômeno que afeta especialmente crianças e adolescentes. A publicação também apresenta referências à legislação, como a Lei Carolina Dieckmann, que criminaliza a invasão de dispositivos eletrônicos e a divulgação não autorizada de informações pessoais.
De acordo com a coordenadora do núcleo estadual de prevenção e atenção às violências da SES-RJ, Thaís Pimentel, o atendimento às vítimas exige preparo técnico e sensibilidade. “Em alguns casos, a vítima chega à unidade acompanhada do agressor, o que torna o atendimento mais complexo”, observa.
O manual orienta que vítimas de violência sexual sejam atendidas em espaços reservados e por equipes multiprofissionais. Profissionais de saúde também devem garantir acesso a informações sobre direitos, prevenção de gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis, além de orientar sobre os serviços da rede de proteção.
Entre fevereiro e início de março, equipes municipais de nove cidades da Baixada Fluminense participaram das primeiras reuniões de capacitação sobre a aplicação do manual. Os encontros também reforçaram que o atendimento à vítima não depende da apresentação de boletim de ocorrência e destacaram a importância da articulação com delegacias, conselhos tutelares e conselhos do idoso.
As reuniões continuarão ao longo de março e nos próximos meses, com debate sobre desafios locais e planejamento de novas ações, como capacitações e fortalecimento de comitês temáticos voltados ao enfrentamento da violência. Com informações da SES-RJ


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