Mitos e verdades sobre a epilepsia: o que fazer e como ajudar uma pessoa em crise?

No mês da conscientização sobre a epilepsia, neurocirurgião do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição esclarece principais dúvidas sobre a condição e ensina como lidar com uma crise epiléptica



A epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada por crises epilépticas recorrentes, causadas por descargas elétricas anormais e excessivas nos neurônios, que podem afetar todo o cérebro ou uma parte dele. A condição atinge aproximadamente 65 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE). Segundo o Dr. Edson Nunes, neurocirurgião do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, os sintomas são variáveis e dependem da região do órgão onde começa a descarga elétrica. Porém, os mais comuns são os movimentos involuntários, olhar fixo e crises convulsivas, que por sua vez, trazem perda de consciência, rigidez do corpo, movimentos repetidos de braços e pernas e mordida na língua.

Para combater o estigma e informar a população sobre a doença, 26 de março marca o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia. No geral, existem muitos mitos, confusões e incertezas compartilhadas sobre a doença na sociedade. O especialista esclarece os fatos verdadeiros por trás das principais narrativas:

1 - A epilepsia não é uma doença mental, mas sim um distúrbio neurológico.

2 - Nem toda crise epiléptica tem convulsão.

3 - É impossível engolir a língua durante uma crise.

4 - A doença não é contagiosa.

5 - A epilepsia tem tratamento e a pessoa pode ter uma vida normal porque, com tratamento adequado, é possível ficar anos sem crises.

6 - Não é recomendado conter os movimentos e segurar a pessoa durante uma convulsão.

Alguns sinais antecedem a crise convulsiva: visão de luzes ou manchas, tonturas, náuseas, sudorese, palpitações e alterações de comportamento - mudança de humor, ansiedade, dor de cabeça, insônia, entre outros. O Dr. Edson explica que, ao sentir os sintomas, o paciente deve: deitar imediatamente de lado, se afastar de locais como escada, rua, objetos cortantes, piscina, afrouxar roupas apertadas e avisar alguém próximo sobre a situação.

“Durante a crise convulsiva, geralmente o indivíduo perde a consciência e não consegue agir. Quem estiver perto pode ajudar a proteger a pessoa de lesões, colocando um travesseiro embaixo da cabeça, afastar os objetos, evitando algum corte ou traumatismo, posicioná-la de lado para evitar aspiração de saliva ou vômito e afrouxar roupas apertadas. Não coloque nada na boca do paciente e não segure os seus movimentos. Caso a crise dure mais de 2 minutos, chame uma ambulância imediatamente”, explica o médico.

Após a crise, o paciente costuma se sentir confuso, sonolento e cansado, além de ter dor de cabeça e dificuldade para falar. Diante disso, é importante permanecer deitado, descansar e esperar a recuperação total da consciência. Depois que estiver bem acordado e consciente, terá espaço para beber água, verificar se houve ferimentos, tomar medicação anticonvulsivante (se já fizer tratamento médico) ou procurar uma emergência, caso seja a primeira crise.

De forma geral, o tratamento da epilepsia envolve medicação anticonvulsivante contínua. Em casos específicos, inclui cirurgia, dieta cetogênica (plano alimentar com baixa ingestão de carboidratos, alto teor de gorduras e proteínas moderadas) e estimulação do vago, nervo mais longo e complexo do sistema nervoso, responsável por conectar o cérebro aos principais órgãos. Para reduzir a chance de crises, é importante evitar poucas horas de sono, consumo excessivo de álcool e estresse intenso, além de não esquecer de fazer o uso da medicação.

Segundo o neurocirurgião do Hospital de Clínicas Nossa Senhora da Conceição, com tratamento e acompanhamento adequado, cerca de 60% a 70% dos pacientes ficam com as crises totalmente controladas ou com rara frequência. Porém, a condição pode trazer algumas restrições e desafios para a vida pessoal e profissional. Em certas situações, eles têm uma espécie de gatilho para a crises, como no caso de febre, fadiga extrema e luzes piscantes, o que afeta a rotina, por exemplo. Além disso, no Brasil, pacientes com epilepsia têm permissão para dirigir, desde que não apresentem crises no período de 6 a 12 meses, dependendo da avaliação médica.

“Na maioria dos casos, as pessoas trabalham normalmente com restrições para algumas profissões: piloto de avião, mergulhador profissional, operador de máquinas pesadas, motorista profissional e trabalho em altura. Na vida pessoal, podem viajar, casar e ter filhos naturalmente. Porém, em alguns casos, a doença traz um impacto emocional e psicológico por conta do estigma social, gerando medo de ter crise em público, baixo autoestima, depressão e ansiedade. Na prática esportiva, o indivíduo deve ter cuidado com escaladas, alpinismo, lutas, natação e esportes radicais, priorizando sempre a supervisão”, explica o especialista. Assessoria HCNSC

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