Vem aí a Festa da Alegria!

Estamos nos aproximando do Tempo Quaresmal. Penitências, jejuns, orações, conversão e exame de consciência são fundamentais para vivermos bem a Semana Santa e adentrarmos com Cristo no Domingo da Ressurreição. Deveríamos nos perguntar por que este Tempo Litúrgico, de tamanha importância para os cristãos (pelo menos deveria ser), é preparado com tanto silêncio, ao passo que as festividades carnavalescas se preparam com tanto estrondo e antecipadas divulgações.

A nossa Igreja Católica vê o Carnaval como uma festa popular ligada ao calendário litúrgico, um período de alegria e "adeus à carne" (_*carnis levale), que antecede a Quaresma. Os Católicos podem participar, mas devem evitar excessos que os afastem da fé, priorizando a moderação e a dignidade cristã, buscando, por vezes, retiros espirituais para uma vivência mais edificante. A participação carnavalesca não é pecado em si: A Igreja não proíbe a alegria, a dança e a bebida com moderação, mas alerta para o uso desvirtuado e os excessos.

É importante essa festa. Por isso todos que participam devem evitar os pecados da carne. A Igreja desaconselha a exposição à luxúria, à prostituição e a tudo que estimule a concupiscência. Evitar igualmente a perda da dignidade: O uso da liberdade não deve levar à desordem ou à ofensa a Deus, conforme os princípios da temperança e da moderação. O nosso grande teólogo Leonardo Boff recorda que o berço do carnaval ocidental se encontra na Igreja, apesar dos antecedentes na cultura greco-latina.

A palavra “Carnaval” é a combinação de duas palavras latinas: “carnis” que é carne e “vale” que é uma saudação, geralmente no final das cartas ou no final de uma conversa. Significa “adeus”. Então antes de começar o tempo da quaresma na quarta-feira de cinzas, que é tempo de jejuns e penitências, se reservaram uns dias anteriores para dizer “adeus” à “carne”. Pois durante todo o tempo da quaresma não se podia comer carne.

De festa de cunho religioso passou a ser uma festa meramente profana, na qual tudo podia ocorrer como bebedeiras e até prostituição aberta. Ai a Igreja se afastou mas nunca totalmente. Mas calha que essa festa popular pagã us

1a o calendário cristão para se posicionar. E o carnaval, ao longo do último século, sofreu transformações importantes dentro do seu papel em comunidades e valorização do ritmo negro para hoje ser algo mais ligado ao show business e não necessariamente social.

Mas como tudo o que é sadio pode ficar doente, assim no carnaval há doenças no sentido de alguns extrojetarem seu exibicionismo, se embebedarem em demasia e aproveitarem a liberdade reconquistada para se vingar dos desafetos. Mas essa é uma patologia, uma doença. E toda doença remete à saúde. Quer dizer, o carnaval é algo saudável especialmente em sociedades de grande desigualdade. No carnaval as desigualdades caem. Todos estamos juntos para festejar, comer e beber numa ilimitada fraternidade.

Termino com as palavras de Dom Elder Câmara: "O Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no Carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!” 

Medoro, irmao menor-padre pecador

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