Os tempos estão mudando — o mundo do trabalho, a forma de trabalhar e as pessoas também. Cada vez mais, as pessoas se preocupam com qualidade de vida, bem-estar e com o atendimento de suas necessidades de forma geral. Não que o ambiente laboral vá se tornar perfeito — pois perfeito, só o Poder Superior — nem que o local de trabalho deva se transformar em um SPA. Mas as coisas não são mais como eram antes; hoje, muitos compreendem as diferenças entre chefes e líderes, os diversos estilos de liderança, e percebem a distinção entre ambientes saudáveis para se trabalhar e ambientes tóxicos, caóticos, desestruturados e desorganizados.
Os riscos psicossociaiss e destacam por estarem ligados à mente, às emoções e às relações no trabalho, à pressão psicológica, metas abusivas, assédio moral, clima organizacional tóxico, medo constante, insegurança no emprego, falta de reconhecimento, dentre outros.
No mundo do trabalho, o que mais importa são, muitas vezes, os resultados — sabemos disso. Mas resultados de excelência só são alcançados com o fator humano. Por mais que haja esse lado humano envolvido, as relações corporativas se dão em prol de interesses, confiança, boa comunicação e, principalmente, resultados.
É claro que o ambiente — uma estrutura bem definida, organização e fatores cruciais — pesa muito. No entanto, o indivíduo pode e deve se ver como agente de mudanças, aliando conhecimento, sabedoria e ação baseada na melhoria que, para ser realmente eficiente e eficaz, precisa ser contínua.
Fatores como assédio moral — que podem se manifestar, por exemplo, em humilhações constantes, cobranças desmedidas, isolamento social, críticas injustas, desvalorização profissional —, desorganização, mau planejamento estratégico, tático e operacional; a ausência de procedimentos bem estruturados e comunicados; a falta de indicadores de acompanhamento em prol do desenvolvimento; a ausência de treinamento e desenvolvimento — tudo isso, e muito mais, acaba por comprometer os resultados e a saúde dos trabalhadores. Segundo a Constituição Federal, normas vigentes e, em especial, a NR 01, existem direitos e deveres para “empregadores e trabalhadores”. Estamos falando em poder de lei. Existe uma preocupação com a segurança e saúde ocupacional, e não é por acaso.
Dados recentes mostram o quanto essa preocupação é urgente. Em 2024, foram registradas 472.328 licenças médicas concedidas no Brasil por transtornos mentais — o maior número da série histórica.Isso corresponde a um aumento de cerca de 68% em relação a 2023, quando já havia sido registrada alta expressiva. As causas principais desses afastamentos foram transtornos de ansiedade e episódios depressivos.
Os adoecimentos não acontecem exclusivamente por conta do trabalho, mas esses dados reforçam que o adoecimento mental no ambiente laboral não é uma exceção — é uma realidade que cresce e impacta profundamente trabalhadores, famílias, empresas e a sociedade. Cada afastamento representa não apenas dor e sofrimento individual, mas também perdas de produtividade, sobrecarga para colegas, custos para o sistema previdenciário e para empregadores.
Todos nós sabemos como é difícil para uma organização se manter em atividade — os desafios são constantes. Mas é sensato perceber e valorizar as pessoas — até porque, hoje em dia, profissionais que entregam resultados de excelência tendem a optar por não permanecer em organizações com planejamento, gestão, administração e organização medíocres — pelo menos, não por muito tempo...
O fator psicossocial interfere diretamente nos índices de produtividade das organizações — isso abrange tempo, energia e recursos — em especial os financeiros. É certo que índices de turnover, absenteísmo e presenteísmo são impactados em ambientes mais desconexos. Vale ressaltar que isso serve para todos os níveis hierárquicos organizacionais, pois a empresa assemelha-se a um corpo: se uma parte sofre, o todo é afetado. Como venho destacando ao longo dos anos: “toda pirâmide com a base frágil tende a ruir em determinado momento”.
Algumas organizações são mais caóticas por cultura, falta de conhecimento, favorecimentos, preguiça ou falta de bom senso. Não fechar a torneira do caos e da falta de empatia agora custa mais caro. A era das desorganizações ainda existe, mas as empresas mais inteligentes correm na contramão — nem sempre por serem boazinhas, mas porque entenderam que agir corretamente é necessário; entenderam que não agir da forma correta sai caro e representa navegar com rachaduras numa embarcação que enfrenta desafios constantes em alto-mar, algo que entra no cenário da gestão de riscos.
Não adianta haver excelentes planejamentos sem metas bem definidas, sem métodos, indicadores, acompanhamento e sem aperfeiçoamento contínuo.
Como profissional com certa vivência em organizações, sei que as preocupações são muitas, e que segurança e saúde do trabalho nem sempre são tratadas como prioridade — até por conta da diversidade de contextos, desafios e obstáculos, ainda mais se tratando de Brasil. No entanto, está provado por A + B que o impacto é grande quando se analisa de forma holística, do lado de fora da cultura de “apagar incêndio”. Há um tempo em que o fogo pode comprometer toda a floresta se não for controlado. Para toda ação ou omissão há uma reação organizacional.
Cuidar de gente não é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças — e nem é caro se comparado aos gargalos que existem quando não se cuida. Organização com bons resultados precisa plantar bem e cuidar para poder colher os melhores frutos. Caso contrário, a conta virá de uma forma ou de outra, no curto, médio ou longo prazo — pois os números e a prática no dia a dia estão aí para comprovar.
Vivemos um tempo em que não basta apenas entregar resultados ou cumprir metas. É essencial reconhecer o valor humano por trás de cada tarefa, cada processo, cada função. Os riscos ocupacionais espelham a complexidade das atividades, das relações, das expectativas, das pressões e da própria vida moderna. Os riscos ergonômicos e psicossociais são uma realidade e varrer para debaixo do tapete custa muito caro.
A saúde mental não pode ser vista como luxo, acessório ou opcional — ela é parte inerente da segurança e saúde do trabalho, do respeito à dignidade humana, da produtividade sustentável. Investir em prevenção, escuta, diálogo, liderança consciente, capacitações, cultura organizacional saudável e responsabilidade social não é custo — é investimento.
Que cada organização, cada gestor, cada trabalhador possa enxergar além da planilha e da meta. Que veja o outro como pessoa, com fragilidades, potenciais e sonhos. Que entenda que, muitas vezes, o melhor resultado é aquele que preserva sensibilidade, vidas e dignidade.
Porque, em última instância, é na saúde — física, mental e espiritual — que se constrói a verdadeira produtividade, a qualidade de trabalho e a dignidade humana.
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Até o próximo artigo!
Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime.


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