Não é sobre você, não é sobre mim, é sobre nós

Relacionamentos, funcionamento saudável, parcerias, encontros bons ... não é sobre uma pessoa só, é sobre a parceria, o entrosamento, a comunicação saudável e sobre o acordo possível para ambos.

O encontro é de dois.

Na verdade, antes de ser um encontro com o outro, é necessário se encontrar consigo mesmo. Olhar para você totalmente, entender suas necessidades, seus potenciais, suas dificuldades, é necessário saber de sua indivisibilidade, da necessidade de estar inteiro com você, para estar inteiro com o "outro".

Na possibilidade de se perceber de verdade, ver todas as suas nuances, enxergar todas as suas partes, conseguir admitir suas sombras, poderá também perceber, de verdade, o "outro", ver todas as nuances do outro, enxergar melhor todas as partes do outro, entendendo melhor, compreendendo de forma mais ampla as sombras do "outro".

Todo movimento externo em uma relação inicia-se por dentro, você é seu "centro", tudo começa com você.

A qualidade em uma relação, a saúde emocional de uma relação começa primeiro com o interior de cada um, começa com a saúde emocional de cada um.

É preciso estar saudável em si mesmo, é preciso cultivar a harmonia em si mesmo, é preciso ter equilíbrio consigo mesmo para conseguir estar saudável a dois, para estar em equilíbrio a dois. Cada um tem a sua forma de se reunir, suas próprias necessidades.

É necessário compreender isso e respeitar.

O fundamental é compreender você, aceitar quem você é integralmente, sem estabelecer condições, é ter noção real de tudo que representa, admitir seus limites, amar você antes do amor de qualquer outra pessoa.

Conseguir ver sua beleza, independente das partes complicadas e sombrias, saber respeitar as suas dificuldades e não ver decréscimo em ter defeitos, em ter dificuldades.

Ter sabedoria para se gostar e apostar em si mesmo quantas vezes precisar, independente do outro acreditar ou apostar, acreditar em você sempre.

Caiu? Levante -se, apoie-se incondicionalmente, assim será mais fácil contribuir nas quedas e impasses do parceiro(a), apoiar o seu amor.

Valorize-se, olhe para você com beleza, com leveza. Assim será mais fácil ver mais beleza no parceiro(a), e ver o outro com mais leveza.

Em uma relação, tudo começa em seu interior, você é sua própria bússola, seu norte, sua direção, você é sua própria construção, estrada, caminho, evolução, "salvação"... 

O mesmo ocorre com o parceiro(a). E então, o movimento de se estar junto será mais harmônico, mais belo, mais assertivo e de maior evolução.

Quando se entende isso, e cada um já busca sua própria construção e evolução, o estar junto se transforma em algo maior, muito mais suave e de elevação, desta forma, é possível sair do percurso individual, e construir uma ponte juntos, onde os dois irão passar para um outra dimensão: A dimensão do "Nós". Um lugar de reconstruções e desconstruções a dois...

Esse lugar não será mais de exigências, de briga por poder, ou domínio do outro, mas um caminho que fora construído primeiro com muito autoconhecimento de cada um, com um exercício saudável do "Eu" para uma forma elevada e muito "bem cuidada" do "Nós".

“Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Uma é a sobra do outro.” (Carl Gustav Jung)

Um lugar de aproximação delicada, de um olhar em conjunto, de uma percepção mais abrangente e ampla das próprias necessidades e das necessidades do outro, sem brigas, sem disputas, no encontro maior e verdadeiro do todo, da soma das riquezas e potências de cada um.

Da beleza do encontro, da intimidade maior e sem fantasias e desgastes das disputas do ego, o "encontro" como real crescimento e de um amor possível e transparente que possibilite um novo mundo para cada um e não o encontro cheio de ilusões, expectativas e com criações mentais incabíveis sobre o outro, sobre si mesmo e sobre o "Nós".

O amor se constrói desconstruindo as ilusões, as expectativas descabidas sobre reações que não existem na prática e que são irreais.

Construa relações possíveis, relações reais.

Por Patricia Tavares

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