Um Ganso fora d'água

Será que não lhe alertaram que o futebol arte acabou?

Que precisa parar de insistir com que a classe, a habilidade, o domínio e a assistência persistam em meio ao futebol moderno?

Quando os garotos chegam às divisões de base, os gritos dos treinadores trogloditas, que tomaram o lugar dos ex-atletas nos clubes, começam a soar: toca, pega, marca, dá um chutão nessa porra!!!

Eles estão salvando seus empregos. E castrando gerações.

Não se formam mais craques, potencializam seu dom ou dão asas às suas infinitas inovações. Cerceiam na fonte ao priorizar a correria. A marcação forte, se possível, um carrinho voador.

Ganhar, por uma bola, como missão também nos infantis, são barricadas que se estendem para evitar a ousadia.

E o garoto vai chegando à graduação com medo de dar um drible. Uma caneta? Vai levar uma porrada porque, tão rara, vai parecer um acinte. Um deboche.

Luiz Gustavo, Fernandinho, Casemiro, Fred, Arthur, Fabinho, todos chegaram craques em seus clubes. Mas só foram convocados porque foram catequizados para deixar, gradativamente, sua classe pelo caminho.

Sabe quando o Ganso vai ser convocado depois que a Era Dunga veio forte e consagrou Felipão?

Quando entrar no Du Lorean do Dr. Brow e desembarcar na década de 1970. Com Ademir da Guia, Gerson, Geraldo, Cléber, Clodoaldo e Carlos Alberto Pintinho, iria entrar para a história do nosso futebol.

Como nasceu ontem e joga hoje, sem Telê Santana no comando da seleção, vai ser sempre um Ganso fora d'água.

Pobre água.

Por José Roberto Padilha
Imagem: Reprodução

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