A conta chega, mereça você ou não

Fora os dois tornozelos fraturados (Flu x Portuguesa, Taça GB 74) e Fla x Brasil, de Pelotas, 76)e um perônio trincado (Marília x Inter de Limeira, 80), estou às vésperas de uma nova intervenção cirúrgica, a sétima: uma artrodese no tornozelo direito.

As outras foram 4 no joelho esquerdo, 1 hérnia inguinal rompida (Treino de chutes a gol, Itabuna FC, 84) e um afundamento do malar (Americano x Portuguesa, 82).

Tem explicação quando deveria ter indenização.

Nossa geração, que se formou na transição do futebol-arte (Brasil, Tri em 1970) e o futebol-força (Alemanha, Campeã 74), foi cobaia desses estudos. Com a missão de transformar jogadores de futebol em atletas, desembarcaram nos clubes as primeiras máquinas de musculação Apolo e Nautilus.

Testes de Cooper, Interval-training, Circuit-training, chegaram sem dizer bom dia.

E com a medicina esportiva caminhando, subíamos correndo, toda terça-feira na representação do elenco, durante uma infinidade de anos, 5 km da Estrada das Paineiras e Vista Chinesa com tênis Adidas com travas de borracha. Nem se imaginava tênis com amortecimento. Tinham travas porque depois fazíamos coletivos com eles.

A bola pesava muito e era enorme. O material esportivo, quando chovia, fazia você correr com um quilo a mais de água que não escorria. E as chuteiras, de couro e com travas de alumínio, cortavam nossos pés em 6 lugares.

E quem eram nossos mestres? Professores de Educação Física da EEFeX, na Urca, a única universidade do país não censurada pelo regime militar. Parreira, Coutinho, Carlesso, Chirol, Kurt, entre outros, fizeram o seu papel.

Apenas esqueceram da nossa fragilidade física, e as articulações e sonhos foram ficando pelo caminho quando meniscos eram retirados a céu aberto e a artroscopia era um procedimento utilizado por poucos ortopedistas.

Vou caminhando para a sétima intervenção cirúrgica. Torçam e rezem por essa cobaia sobrevivente. Porque a conta chega, em qualquer profissão, mereça você ou não.

Mais uma setinha pra conta. Vai dar tudo certo.

Por José Roberto Padilha
Imagem: Arquivo JRP

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