Outros Orixás - Final

Iroko - O Tempo


“O Tempo não para pra esperar a gente crescer, nem a vida espera a gente aprender a caminhar.”

No sincretismo religioso, Iroko está relacionado à São Francisco de Assis.

É extremamente rara a manifestação deste orixá, nos terreiros. Contudo, é permanente a sua presença na vida humana, pois ele está no todo de tudo o tempo todo, seja no contexto material ou espiritual.

Iroko é a renovação. É a justiça no seu sentido literal mais absoluto. É a resposta para todas as perguntas.

Iroko, assim como Iku, é o orixá que atua na vida de todos nós, e não é opcional. É ele que armazena cada suspiro, cada pensamento, cada sentimento, cada passo e ação do homem. É ele que, no seu decorrer, vai ajustando as oportunidades e os cenários para que possamos cumprir a nossa missão nos oferecendo condições de evolução, dentro da proposta que demanda a jornada do espírito, na Terra.

Iroko não para. Iroko não dorme. Iroko trabalha ininterruptamente.

Iroko é o Tempo. O passar do Tempo. A renovação do Tempo. É o relógio sagrado do Cosmo. É o palco comum a todos nós protagonistas da existência transitória.

Iroko é a eternidade e o fim.

No Tempo, o instante é presente e passado ao mesmo tempo.

Iroko é a memória do universo.

Estando no futuro, Iroko até pode voltar ao passado para exercer o papel de docente.

Porém, o presente é o futuro permanente do passado constante proporcionando oportunidades de aprendizados através de todas as experiências que estão sendo vividas, seja de prazer, de sofrimento, de medo, de sonho etc. Iroko jamais para de atuar na vida humana. Contudo, ele é complacente e paciente. Nos oferece o tempo necessário para qualificarmos a nossa essência. Todavia, Iroko nunca é piedoso na sua função. Ele passa sem perguntar se estamos aprendendo o sentido da vida. Se estamos prontos para as experiências. Se estamos bem para prosseguirmos. Se precisamos descansar. Se temos saúde. Se acordamos dispostos. Simplesmente, ele passa e temos que seguir nele. E, enquanto passa, ele vai registrando o resultado da nossa atuação no mundo sob o seu passar. Nada escapa. Cada milésimo de segundo do sopro de vida que nos foi concedido para estarmos neste planeta fica registrado na memória de Iroko.

Assim como não sabemos o dia da visita de Iku, não sabemos o prazo que teremos para usufruirmos de Iroko. Mas temos ciência que ele não será eterno, neste Tempo, na condição de Tempo que conhecemos.

Logo, é preciso aproveitá-lo da melhor forma. É preciso valorizá-lo. É preciso respeitá-lo. Ele só volta para sacramentar um reconhecimento. Para reparar uma experiência, a fim de ser justo. E dentro deste contexto de justiça podemos afirmar que, além de alegrias e conquistas, por mérito, pois Iroko não faz acordos para agradar, não é subornável, não tem compromisso com a hipocrisia e nem com o “jeitinho”, o seu regresso também poderá trazer lembranças que gostaríamos de esquecer. Poderá trazer arrependimentos.

Iroko é mestre em descortinar todos os aprendizados que escolhemos descartar quando priorizamos a prática de erros para preservarmos o prazer pessoal. E movido à justiça que lhe toma como energia, Iroko regressa para apontar as nossas opções pregressas que impactaram diretamente na nossa - boa ou má - qualidade humana.

Porém, Iroko quando volta nem sempre será presente o suficiente na vida da gente para repararmos os equívocos, nem para desfrutarmos das satisfações com os acertos por ele identificados, mas quando temos a chance de fazê-lo, sejamos breve nas ações.

“Não se hospede por muito tempo, no Tempo que lhe é permitido perder.”

Por Graça Leal

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