Realidade, mudanças, transformações

A pandemia trouxe muitas modificações, adaptações, perdas, nova forma de interagir com o cotidiano, com uma rotina quebrada, interrompida, que trouxe muitas emoções diferentes sem aviso prévio.

Em relação às emoções, vida profissional, vida pessoal, de alguma forma, houve transformação na vida de todos. Mas observo que as crianças foram as mais afetadas e, de uma forma particular, porque o tempo de desenvolvimento infantil é diferente, e muito intenso.

Cada mês conta muito, um ano na vida de uma criança que está em desenvolvimento físico, de aprendizagem emocional conta muito, é muito mais quantidade do que para um adulto, e também são muito mais perdas que uma criança tem em uma interrupção de meses, de um ano, comparando com os adultos.

Neste contexto, todas as aulas do colégio se transformaram desde que a pandemia surgiu, com aulas on-line por tanto tempo e agora o sistema híbrido, uma mudança radical na vida de todos, e principalmente das crianças.

Muitas delas ainda tinham as atividades extras, os esportes, as danças, atividades artísticas, etc, e o lazer, os encontros com os amigos no fim de semana, as interações com a casa dos avós, com a casa dos primos etc. Tudo isso interrompido e bruscamente alterado.

A “cabecinha” das crianças foi muito mexida, muitas emoções foram alteradas, dúvidas, o medo, a insegurança que tomou conta dos adultos passou para as crianças e um misto de emoções e sentimentos totalmente inusitados, e ainda toda a vida familiar e social alterada, embolada, mexida.

Neste contexto se passou mais de um anoe, de um ano para o outro, a criança passa por diversos processos cognitivos e emocionais que se alteram e transformam.

Existe a importância fundamental do meio, da convivência com os amigos, com o meio social, existe uma relevância da presença, do contato para a formação da individualidade e do emocional de uma criança, o colégio está muito além do ambiente de aprendizado intelectual.

Os espaços sociais, o contato, as interações das relações são fundamentais para o desenvolvimento de todas as crianças, para a saúde emocional e mental de cada uma delas, e estamos impedidos deste contato, desta interação.

É importante levar tudo isso em consideração antes de denominar que a criança está com o comportamento alterado, é necessário ver o contexto e saber que a criança que não esteve com o comportamento alterado ao longo deste tempo, desde o momento que a pandemia se iniciou. 

Talvez esta criança é que esteja com problemas, porque é justificável e compreensível que o emocional, o comportamento das crianças se alterem.

É necessário acolhermos as nossas crianças. Dizermos para elas a verdade. Dizermos que não é fácil nem para os adultos tudo isso, trabalho, aulas etc, on-line, que não está sendo fácil para ninguém afastamento, inseguranças e o "não saber" quando tudo isso irá acabar.

Mas também falarmos de amor, que o mais importante de tudo é estarmos juntos, unidos, um apoiando o outro, passar também esperança e dizer para a criança que tudo isso vai passar, que ela terá seus amigos de volta, que ela voltará a brincar como antes, que as aulas presencias voltarão, que poderá aproveitar o seu recreio.

Abraçar e acolher. É importante que os adultos passem para a criança que ela é mais importante do que qualquer nota, produção.

Que a sua vida está acima de qualquer coisa e que todo esforço é para proteção. Mas dizer para a criança que entende o quanto o sistema híbrido de aulas é difícil, entende que não está fácil tudo o que ainda acontece. Mas que novos momentos virão e serão momentos melhores...

Compreenda suas emoções, compreenda sua insegurança, aceite, acolha-se e sinta o que precisar sentir, ainda mais em momentos que vivemos, tão cheios de altos e baixos.

Só assim conseguirá olhar para seu filho, para as crianças com compreensão, com acolhimento, só assim conseguirá entender todas as dificuldades emocionais que seu filho e todas as crianças estão vivenciando. Só desta forma poderá permitir que seu filho sinta o que for.

Estamos todos nós necessitando aprendermos, reaprendermos com esses tempos tão diferentes, reavaliarmos tudo, seguirmos por um caminho totalmente novo e inusitado, mas seguimos melhores. Se houver mais compreensão, afeto e amor entre todos, principalmente entre as pessoas que convivem mais diretamente conosco tudo ficará mais fácil.

Sejamos o mais gentis que pudermos, sejamos o mais humanos que conseguirmos. Coloque-se no lugar das crianças, coloque-se no lugar do seu filho. Coloque-se no lugar do outro.

Por Patrícia Tavares

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